UFMG anuncia ‘calote’ em luz e água e corte de terceirizados

Medida foi divulgada como forma de preservar bolsas diante de redução de verba federal

iG Minas Gerais | bernardo miranda /joana suarez |

Economia. UFMG, a maior universidade mineira, terá que cortar despesas da ordem de R$ 48 milhões
leo fontes
Economia. UFMG, a maior universidade mineira, terá que cortar despesas da ordem de R$ 48 milhões

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a maior do Estado, anunciou nesta quinta a suspensão temporária do pagamento das contas de água e de luz, além de cortes em serviços terceirizados. A justificativa da reitoria foi a necessidade de adequação a um decreto do governo federal que determina o contingenciamento de 33% dos recursos destinados às instituições federais de educação. Ainda segundo a universidade, a intenção é garantir o pagamento de bolsas e projetos acadêmicos. No Estado, há outras 16 entidades de ensino (dez são universidades), todas afetadas pela ordem para economizar recursos.

A situação, comunicada nesta quinta pela reitoria, já altera a rotina no campus Pampulha, com a redução dos serviços de jardinagem, limpeza e vigilância. Funcionários afirmam que cerca de 2.000 terceirizados já foram dispensados. A reportagem entrou em contato com as outras dez universidades do Estado, e todas as sete que se pronunciaram confirmaram que estão discutindo mudanças ou já em processo de adaptação. Nesse segundo caso está a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Entre as mudanças estão a proibição de viagens internacionais e a redução das nacionais. A reitora da Universidade de Viçosa (UFV), Nilda de Fátima Soares, explica que está discutindo opções para a instituição. “Tivemos, desde o início do ano, redução no repasse de recursos para a UFV, mas esperamos que essa situação possa ser revertida com a aprovação da Lei Orçamentária”. O diretor de orçamento e finanças da Universidade de Ouro Preto (Ufop), Eduardo Curtiss, diz que a situação da instituição também é complicada. “A demanda por recursos é muito superior, o crédito já era apertado e, com essa limitação, ficou pior. Até o fim de 2014 conseguimos honrar os compromissos, ficando uma parte para este ano”. O Ministério da Educação (MEC) informou que o decreto preserva o pagamento de professores e bolsas. Poderão ser cortadas verbas para palestras, serviços terceirizados, diárias e viagens. Reitores de instituições brasileiras se reúnem nos próximos dias para discutir soluções. Entenda. Como o Orçamento de 2015 ainda não foi aprovado no Congresso, o governo federal publicou o Decreto 8.389, em janeiro, determinando a redução provisória nas despesas de custeio com base no que foi gasto em 2014. Em Minas, a economia deve ser de R$ 193 milhões. As instituições reclamam que, além desse contingenciamento, houve redução de repasses no fim do ano e atrasos de pagamentos vêm sendo registrados desde meados de 2014.

Estudantes relatam atrasos em bolsas e temem mais perdas A notícia da redução de recursos na UFMG – comunicada pela reitoria via e-mail – criou um clima de preocupação entre os estudantes da instituição. Apesar de oficializado nesta quinta, estudantes relatam que já há problemas pontuais e eles temem mais redução ou corte em bolsas e pesquisas. “Ainda não sentimos diretamente nenhum problema de luz ou água, mas sabemos de alguns casos de cortes e atrasos de bolsas. Tenho uma colega da história que está fazendo intercâmbio pela universidade e teve um atraso na bolsa. Ela chegou a postar um desabafo nas redes sociais”, comentou uma aluna que preferiu não ser identificada. O estudante de química Lucas Fernandes, 17, está com a bolsa de estágio atrasada há dois meses. “Comecei a trabalhar, mas até hoje ainda não recebi a bolsa. Com essa notícia, não sei como vai ficar a situação. Ouvi várias pessoas dizendo que estão acontecendo atrasos nas bolsas em geral, mas não sei se houve cortes”.

Efeitos da redução de verba Biblioteca. A falta de funcionários já gera efeitos na UFMG. Segundo relatos de alunos, algumas bibliotecas, que antes funcionavam em tempo integral, agora estão com horário restrito – a redução é maior à noite. Bolsas. Outro efeito é a redução no número de bolsas para mestrado e para intercâmbio. No primeiro caso, a queda foi de 30%. No segundo, foi ainda maior, de 70%. Hospital das Clínicas. O decreto federal exclui do contingenciamento todos os hospitais universitários do país, inclusive o HC.

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