Dólar supera patamar de R$ 3

Crise política afugenta investidores e pressiona o câmbio; Bovespa recua sob o efeito China

iG Minas Gerais |

Efeito cascata. 
A alta do dólar também pressiona a inflação no país ao encarecer produtos importados, como o vinho e equipamentos
Pedro Vilela/ O Tempo
Efeito cascata. A alta do dólar também pressiona a inflação no país ao encarecer produtos importados, como o vinho e equipamentos

São Paulo. A crise instalada entre Planalto e Congresso segue contaminando o humor dos mercados domésticos e levou o dólar à vista a ultrapassar os R$ 3 na sessão desta quinta, em meio ao risco de que a disputa política ameace a implementação das medidas de ajustes fiscal propostas pelo governo. No exterior, o forte viés de alta para a moeda norte-americana também contribuiu para a trajetória de valorização da divisa por aqui. Além disso, segundo profissionais do mercado, a atuação de especuladores influenciou o movimento da moeda norte-americana, em uma tentativa de testar a disposição do Banco Central de intervir no mercado via leilões, com o objetivo de conter a disparada.  

O dólar à vista terminou o dia em alta de 1,01%, aos R$ 3,0090, o maior preço desde 13 de agosto de 2004 (R$ 3,021). Na mínima, ficou em R$ 2,9790 (estável) enquanto, na máxima, marcou R$ 3,0210 (+1,41%). Nesses quatro dias úteis de março, a moeda já acumula valorização de 5,36% e, em 2015, sobe 13,33%.

No mercado futuro, o dólar para abril tinha valorização de 1,05%, a R$ 3,0330. O giro era impulsionado pelos exportadores, que aproveitaram a alta da moeda para internalizar recursos, segundo operadores. Nas casas de câmbio de Belo Horizonte a situação foi pior nesta quinta. O dólar chegou a bater R$ 3,30. A alta se acentuou mesmo após o Banco Central manter o ritmo do aperto monetário e elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, deixando em aberto o próximo passo da taxa básica de juros.

A crise instalada entre Planalto e Congresso tem reflexos no mercado e na confiança do investidor no Brasil. Esse atritou ganhou um novo capítulo nesta quinta, na primeira sessão da CPI da Petrobras. Isso porque a comissão é presidida por Hugo Motta (PMDB-PB), que é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos nomes que vazaram da Lista do Janot. Em represália, Cunha estaria por trás das medidas aprovadas nesta quinta de manhã durante a CPI, todas desfavoráveis ao PT e ao governo federal. Na tarde desta quinta, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, recebeu representantes da Standard & Poor's. Ele tentou convencer os integrantes da agência de que, apesar da falta de apoio da base aliada, a meta de superávit primário de 1,2% do PIB este ano será entregue e que os riscos relacionados à Petrobras e ao abastecimento de energia estão controlados.

Ainda em Brasília, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta tarde a abertura de inquérito contra cerca de 45 parlamentares com mandato.

O cenário político também afundou a Bovespa. Mas a queda foi puxada também pela Vale, depois que a China reduziu sua meta de crescimento para este ano para cerca de 7% – um nível não visto desde 2004. Vale ON recuou 4,36% e a PNA, -4,08%. Assim, o Ibovespa terminou o dia com perda de 0,20%, aos 50.365 pontos. No mês, acumula perda de 2,36%.

Intervenções do Banco Central impediram valorização maior São Paulo.> O atual programa de leilões diários de swap cambial (equivalente a oferta futura de dólares) está marcado para durar até pelo menos o fim deste mês, e a sinalização de que o Banco Central pretende rolar apenas parcialmente os contratos que vencem em 1º de abril já injetou incerteza no mercado. “Isso tudo dá mais fôlego para o mercado testar o BC”, disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano. “Se não houvesse esta interferência do BC, o câmbio já deveria estar no patamar de R$ 2,90 há alguns meses”, explicou o professor do Insper Otto Nogami. Nesta quinta, Banco Central deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio ofertando até 2 mil swaps cambiais, com vencimentos em 1º de dezembro de 2015 e 1º de fevereiro de 2016.

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