Queridos amigos do rock rural e da MPB

Músicos estreiam turnê “Encontro Marcado”, no Palácio das Artes, em comemoração aos 40 anos de carreira

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Com sete músicos no palco, a turnê “Encontro Marcado” dará brilho novo a canções memoráveis da MPB
cristiano quintino/divulgação
Com sete músicos no palco, a turnê “Encontro Marcado” dará brilho novo a canções memoráveis da MPB

O ano de 1974 é um dos mais importantes para Sá e Guarabyra, Flávio Venturini e Sérgio Magrão, do 14 Bis. Foi nessa data que os quatro se conheceram em São Paulo e deram asas a uma criativa história da música brasileira, que envolve a consolidação do rock rural, harmonias inspiradoras e uma amizade forte, que será comemorada para valer neste fim de semana. Juntos para celebrar 40 anos de carreira, os amigos estreiam a turnê “Encontro Marcado”, no Palácio das Artes, com dois shows, neste sábado e domingo.

Esta é a primeira vez que os músicos estarão no palco juntos para uma turnê mais longa, que deve durar um ano. Antes, eles se reuniram em 2008, ainda com Zé Rodrix, para um show histórico no Chevrolet Hall, e depois voltaram aos palcos em 2011. “Não conseguimos manter os shows e não tinha a produção de agora também. Desta vez é um projeto grande”, avalia Sá.

Os shows pretendem relembrar histórias e um entrosamento nascido nos anos 70. Na época, Sá e Guarabyra se dedicavam às gravações do álbum “Nunca” (Odeon), o primeiro sem Zé Rodrix – que decidiu se afastar do trio – e precisavam de um novo tecladista. Flávio Venturini foi indicado por Milton Nascimento, e acabou conhecendo também Sérgio Magrão, de O Terço, banda que acompanhava a dupla de rock rural no estúdio Vice-Versa. “Morei na casa do Sá e Guarabyra e gravei com o Rogério Duprat em São Paulo. Lá, formamos uma colônia de mineiros e paulistas e foi uma das maiores experiências que tive”, recorda Flávio Venturini.

A afinidade daqueles tempos continua latente até hoje. Nos ensaios feitos no Grande Teatro do Palácio das Artes, desde o início da semana, Flávio Venturini brinca que “Sá virou praticamente mineiro”. Mas o compositor carioca replica ao fundo da ligação dizendo que “o Rio é o berço dessa essência”. E Sérgio Magrão, polemiza mais ainda o sarro ao dizer que “é difícil saber quem é de onde hoje em dia”.

Entre velhas risadas, Flávio Venturini, Sá e Guarabyra e o 14 Bis revivem 23 clássicos no palco, sem grandes invenções. “Só alguns arranjos foram mudados. A gente está mantendo o original mesmo porque têm músicas que ficam mais altas para uns, mais baixas para outros. Vamos estar o tempo todo juntos no palco. É a primeira vez que faremos esse formato”, elucida Sério Magrão. Na prática, Sá e Guarabyra vão se revezar nos violões e violas caipiras, enquanto Flávio Venturini transita entre violões e o teclado, e o 14 Bi – Sérgio Magrão, Cláudio Venturini, Vermelho e Hely Rodrigues – atuará como banda principal, dando corpo a canções como “Espanhola”, “Casa No Campo”, “Dona”, “Caçador de Mim”, “Sobradinho”, “Criaturas da Noite” e “Todo Azul do Mar”.

Os amigos até têm algumas canções inéditas guardadas nas gavetas e outras recém-compostas. Uma delas, “Romance em Veneza”, de Sá e Flávio Venturini, ainda precisa da letra do mineiro, mas deve entrar no repertório durante o decorrer da turnê. “Tentei fazer na Itália, mas não tinha nem um violão por lá. Prometo que acabo a tempo desses shows”, se justifica Venturini aos risos.

SHOWS E DISCO. As apresentações devem rodar o país a partir de março, mas com datas provavelmente espaçadas. “Esperamos marcar shows fora de Minas, mas deve haver a coordenação das nossas agendas solo, que continuam. Isso vai ser o mais difícil, mas estamos curtindo o momento de voltar 40 anos no tempo. É uma festa”, diz Sá.

Além dos shows, o projeto “Encontro Marcado” também deve render um CD e um DVD até o fim do ano. O álbum começou a ser gravado ano passado, mas as filmagens ainda estão indefinidas pela “escolha do lugar ideal para o DVD”, segundo Venturini.

Serviço.  A turnê “Encontro Marcado”, que reúne Flávio Venturini, Sá e Guarabyra e 14 bis estreia nesta sábado, às 21h, e domingo, às 19h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro). Os ingressos variam de R$ 60 (meia-entrada) a R$ 160 (inteira).

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