Um cinema que se transforma com os tempos

Retrospectiva do diretor Serguei Soloviev é destaque de “Assim Vivíamos”, que traz ainda exposição fotográfica

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

“Melodias das Noites Brancas” foi codirigido e coproduzido com o Japão
Sesc
“Melodias das Noites Brancas” foi codirigido e coproduzido com o Japão

Quando organizou a mostra “Assim Vivíamos”, em cartaz no Sesc Palladium, o curador Luiz Gustavo Carvalho selecionou não somente filmes inéditos e de cineastas russos pouco conhecidos no Brasil. Ele buscou também as mudanças na cultura e na sociedade russa ocorridas durante a Perestroika e os anos 1990. E, nesse contexto, o diretor Serguei Soloviev tem um papel central.

Ele começou sua carreira jovem, com um olhar clássico e adaptando grandes obras literárias. “Mas no início dos anos 1980, ele percebe as mudanças no ar com a Perestroika e faz uma ruptura drástica na linguagem dele, trazendo um momento novo para o cinema russo”, conta Carvalho.

É por representar ele mesmo essas transformações retratadas na mostra que Soloviev ganhou uma retrospectiva especial dentro da programação, com seis longas. E os dois que serão exibidos neste fim de semana – “Melodias das Noites Brancas” hoje, às 19h, e “A Pomba Branca” amanhã, no mesmo horário – são ótimos representantes dessa guinada na carreira do cineasta.

Segundo o curador, o primeiro é um exemplar da fase clássica de Soloviev. Co-dirigido com o japonês Kiyoshi Nishimura em 1977, “Melodias” é a adaptação de um romance sobre um maestro russo e uma pianista japonesa que se apaixonam em Leningrado, mas são separados pela distância.

Já “A Pomba Branca”, de 1986, é o filme que dá início à segunda fase de Soloviev. O longa, filmado no Cazaquistão e passado em 1946, acompanha um garoto que encontra a pomba do título (uma alegoria da paz na URSS pós-guerra) e traz as primeiras influências de Andrey Tarkovsky que levariam à nova linguagem do diretor. “O filme tem uma fotografia belíssima e mostra como cada dia de paz era celebrado como um dia de festa na época”, analisa Carvalho.

Para os não-iniciados, o curador descreve Soloviev quase como “um Almodóvar russo. Ele é fascinado pela moda que chega na Rússia com a Perestroika e é rodeado de ‘atores-fetiche’ bastante extravagantes, que quem acompanhar a retrospectiva vai conhecer”, atiça o curador.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave