Clássicos do brega no Baixo

Orquestra Mineira do Brega destila refrões cravados no imaginário coletivo brasileiro em show potente e divertido

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Sem preconceito. Com bom humor, Orquestra Mineira de Brega busca romper barreiras musicais
Luísa Rabello/divulgação
Sem preconceito. Com bom humor, Orquestra Mineira de Brega busca romper barreiras musicais

O desafio está lançado. Leia o refrão que vem a seguir sem requebrar ou ensaiar os gestos, caras e bocas da interpretação dramática e sensual de Sidney Magal: “Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar, quero ver o seu corpo dançar sem parar!”. Os mais contidos, no mínimo, se lembrarão daquela festa de arromba em que se descabelaram ou viram uma tia, até então tímida, quebrar tudo ao som de “Sandra Rosa Madalena” e de outros clássicos do brega. Outros, sortudos, vão se recordar de quando puderam conferir um show da Orquestra Mineira de Brega (OMB) – que toca nesta sexta, no Baixo Centro Cultural.

Prestes a completar seis anos de história, o grupo surgiu de forma despretensiosa, como um encontro de amigos que queriam ir além de seus universos musicais. “Tem uma festa n’A Obra que chama ‘Eu Não Presto, Mas Eu Te Amo’. Na época que ela começou, sugeriram fazer uma banda para tocar só nessa festa. Mas deu muito certo, e foram surgindo outras demandas. Hoje, tocamos em lugares totalmente diferentes. De Carnaval a festas de casamento, de festas corporativas a festivais de música”, conta o guitarrista Daniel Saavedra, que também toca na banda de surf music Proa. “A maioria dos integrantes é de outras bandas de Belo Horizonte, principalmente de rock”, completa, citando grupos como Dead Lovers Twisted Heart e RAM.

Saveedra explica que a OMB partiu do universo brega brasileiro dos anos 70 – que explodiu com Roberto Carlos e a Jovem Guarda –, mas incorporou no repertório músicas de outros gêneros, ao longo dos anos. “Tocamos também algumas coisas de axé da Bahia, de pop norte-americano dos anos 80 e até alguns pagodes românticos”, diz. Para o guitarrista, a banda desperta “um ladinho brega que todo mundo tem”. “A gente propõe uma abordagem bem-humorada, fazendo um resgate de pérolas tidas como esteticamente pobres pela MPB. A ideia é sair desse lugar-comum do que é bom ou ruim, quebrar preconceitos musicais”, defende.

A vocalista Juliana Bráulio se empolga ao falar de seu papel no grupo, que geralmente conta com sete integrantes no palco. “Sou o braço dramático da banda. Ocupo esse lugar da mulherzinha mesmo, que eu adoro. É um espaço no qual eu consigo ser diva e ser menina, onde sou mimada o tempo todo pelos meninos da banda. Um lugar sagrado para mim, que eu não trocaria por nada”, ressalta Juliana, que concilia a arquitetura com a agenda da OMB.

A vocalista diz que “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó, é a grande catarse do show da banda, e cita “Como uma Deusa”, de Rosana, entre as suas favoritas. Para Juliana, o que motiva a OMB é provocar emoções variadas na plateia. “Você vê as pessoas se beijando, abraçando os amigos, sofrendo de amor. Uma vez, fizemos um show num casamento em que um casal ficou e, depois, quando se casaram, chamou a gente para tocar na festa deles. Isso é o mais maravilhoso”.

Agenda

O QUÊ. Show da Orquestra Mineira de Brega

QUANDO. Nesta sexta, às 22h

ONDE. Baixo Centro Cultural (rua Aarão Reis, 456, centro)

QUANTO. R$ 20 (antecipado) e R$ 30 (na portaria)

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