Obras recriam a fluidez da água por meio do prisma barroco

Carlos Calsavara expõe esculturas que dialogam com a tradição barroca em “Memória Líquida”

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |


Na mostra, são exibidas 25 peças ao lado de alguns desenhos
carlos calsavara
Na mostra, são exibidas 25 peças ao lado de alguns desenhos

Carlos Calsavara, 35, há quase duas décadas esculpe imagens de arte sacra em São João del Rei, onde vive. Autodidata, ele conta que nos últimos oito anos, porém, lhe veio o interesse de experimentar outras vertentes, além do seu primeiro ofício, e disso nasce a série exibida na mostra “Memória Líquida”, em cartaz na Galeria de Arte da Copasa.

“Eu senti que precisava fazer outras coisas, senão ficaria apenas restrito à dinâmica das encomendas. Comecei, assim, a experimentar, a partir do esboço de uma escultura decorativa, a representação da água. Isso foi se tornando, aos poucos, o centro do meu trabalho”, explica Carlos Calsavara.

O gesto que, de acordo com ele, surgiu de maneira bastante espontânea, o levou depois ao desenvolvimento de um estudo consciente. “Quando percebi que havia algo de interessante no que fiz, eu comecei a explorar, em outras peças, as possibilidades estéticas de representação do movimento do líquido a partir da estilística barroca”, afirma.

Nessa pesquisa, o escultor passou a incorporar outras materiais, como a cerâmica, o vidro e algumas sucatas, substituindo, assim, a madeira que já estava acostumado a entalhar. “Passei também a usar a tinta automotiva, que enfatiza alguns contrastes e sugere a ideia de artifício”, completa.

Embora, para ele, as 25 criações expostas em Belo Horizonte se encaixem no campo da arte contemporânea, Calsavara nota nelas a recorrência de referências que também aparecem em suas esculturas sacras.

“Essa série significa para mim um outro caminho, mas eu acho que ela tem suas raízes na arte sacra”, observa. O interesse pela temática o mineiro atribui à força da tradição barroca que permeia sua produção artística. “A própria convivência numa cidade histórica torna essa relação quase inevitável”, diz.

Em suas peças recentes, inclusive, ele aponta a existência de afinidades com o estilo cunhado por Aleijadinho. “Algumas formas que eu produzi se parecem com aquelas que aparecem no púlpito da igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto. Ali, Aleijadinho cria um movimento para a água semelhante ao que aparece no meu trabalho”, frisa.

Agenda

O quê. Mostra “Memória Líquida”

Quando. Até 5/4, de 2ª a dom., das 8h às 19h

Onde. Galeria de Arte da Copasa (rua Mar de Espanha, 525, Santo Antônio)

Quanto. Entrada franca

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