Moradores protestam contra corte na saúde

Prefeitura gera revolta ao demitir 21 médicos; comunidade já reclama de que o atendimento está sendo prejudicado

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Caos.
 
Cerca de 200 pessoas se reuniram na porta do Hospital Orestes Diniz para protestar contra demissões que afetam o pronto-atendimento
FOTO: JOAO LEUS / OTEMPO
Caos. Cerca de 200 pessoas se reuniram na porta do Hospital Orestes Diniz para protestar contra demissões que afetam o pronto-atendimento

 

Moradores e lideranças comunitárias da Colônia Santa Izabel, no Citrolândia, protestaram na terça-feira (3) contra a demissão de 21 médicos, entre clínicos e pediatras, do Hospital Orestes Diniz.   A decisão foi anunciada pelo secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, às vésperas do Carnaval. Por meio de um ofício encaminhado ao pronto-atendimento, ele informou, ainda, que todas as solicitações de renovação de contratos com médicos no hospital estavam suspensas e que todos os contratos vigentes seriam cancelados, gerando revolta entre os moradores do Citrolândia.   Munidos de faixas e cartazes, eles criticaram a gestão do atual prefeito. “O secretário de Saúde não conhece a nossa realidade e anuncia mudanças que são prejudiciais à população. É inadmissível o corte de médicos. A população do Citrolândia cresceu muito ao longo dos últimos anos”, disse o líder comunitário Gilson Baeta.   O coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) no Citrolândia, José Roberto de Oliveira, ameaçou dizendo que, caso o município não dê um parecer favorável sobre o problema para a população, a BR–381 será interditada. “O Citrolândia tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas Gerais. Os moradores daqui são muito carentes e não têm condições de custear nem o transporte para outras unidades de saúde da cidade”, frisou.   Há 60 anos morando no Citrolândia, o aposentado Nelson Pereira Flores, 72, disse que a população está abandonada pelas autoridades políticas de Betim. “Parece que a maldição do passado quer retornar. Esse corte no número de médicos é uma proposta indecente da prefeitura, que tenta retirar nossa cidadania, nossa independência conquistada com tanto sacrifício”.<EM> A dona de casa Eva Maria Dias reclama de que o atendimento no hospital já começa a ser prejudicado com os cortes. “Na sexta (27), vim trazer uma amiga de 80 anos que estava com suspeita de pneumonia, e eles falaram que não iriam atender porque não havia médicos. No domingo (1°), eu também procurei atendimento para mim e não fui atendida”, disse.   Apoio dos vereadores No último dia 24, moradores e lideranças do Citrolândia já haviam comparecido à Câmara de Betim para pedir apoio dos parlamentares contra o corte no número de médicos do Hospital Orestes Diniz.    Na ocasião, o vereador Antônio Carlos (PT) disse que, com os cortes, vários horários de atendimento na unidade ficariam sem clínicos e pediatras. “Uma região que já é muito marginalizada, que sofre com a falta de investimentos e tem sequelas terríveis por causa da hanseníase sofre mais um golpe terrível desta administração do PSDB. Uma total falta de respeito com a população. Se essa Casa deixar isso acontecer, é o mesmo que matar as pessoas mais pobres desta cidade. E é isso que o prefeito e o atual secretário de Saúde estão fazendo”.   Resposta A prefeitura informou que solicitou que os profissionais vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, que prestavam atendimento no Hospital Orestes Diniz, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), retornassem para as atividades do município, uma vez que o hospital é de responsabilidade do governo do Estado e não há convênio, contrato ou termo de cooperação firmado entre o município e a Fhemig, que administra o hospital. A prefeitura garantiu, ainda, que os moradores não ficarão sem atendimento.

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