Morte de aluno atingido por trave gera protesto

Pais e amigos do garoto de 10 anos que morreu após se dependurar na estrutura que caiu sobre ele cobram explicações do município; eles reclamam da falta de assistência

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Choque. 
Mãe disse que perdeu não só um filho, mas um amigo
FOTO: JOAO LEUS / OTEMPO
Choque. Mãe disse que perdeu não só um filho, mas um amigo

Familiares e amigos de Kaíque Apolinário dos Santos, de 10 anos, morto dentro da Escola Municipal João Batista Machado de Brito, no bairro Dom Bosco, na sexta-feira (27), ao ser atingido por uma trave de futebol durante uma aula de educação física, foram à instituição, na tarde da última terça-feira (3), protestar contra o ocorrido.

O pai do garoto, José Ferreira dos Santos, lamentou a falta de assistência prestada a ele e à sua esposa pela prefeitura de Betim. “Eles falaram que a nossa família estava sendo assistida, mas a verdade é que, desde que enterramos o meu filho, no sábado (28), nenhum psicólogo ou assistente social nos procurou”, disse.

A dona de casa Ruth Domingos Rosa, mãe de um estudante de 11 anos, reclamou da falta de estrutura da escola. “Não é a primeira vez em que essa trave cai. O mesmo fato já ocorreu outras duas vezes, mas, por sorte, ninguém se feriu”.

Já Ilva Porto, mãe de um garoto de 11 anos que também havia se machucado dentro da escola durante uma brincadeira na quinta-feira (26) – ou seja, um dia antes da tragédia que matou Kaíque – e precisou ficar em observação na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro, contou que o menino não quer ir às aulas. “Meu filho está traumatizado. Ele era primo de Kaíque e está com muito medo”.O fato mais marcante da manifestação foi quando um caminhão da prefeitura saiu da instituição de ensino, em alta velocidade, levando o gol que teria matado Kaíque. Tristeza  

Abalada, a mãe do garoto, Daiane Apolinário, que teve que ser socorrida por amigos, resumiu a dor que sente pela perda do filho. “Ele não era só meu filho. Era um amigo. Estou sem chão”. Uma das possíveis causas que teriam contribuído para o acidente seriam falhas na estrutura da quadra, segundo a Polícia Militar (PM). No boletim de ocorrência consta a suspeita de que a trava de segurança da trave estaria danificada por corrosão. Peritos da Polícia Civil estiveram no local, que foi inaugurado há apenas cinco anos. Corrosão

Por outro lado, a prefeitura informou que a escola passou por manutenção e por vistoria em 2013, 2014 e 2015, em várias áreas, incluindo a quadra poliesportiva. As aulas na instituição de ensino foram suspensas na sexta-feira (27), após a tragédia, e na segunda (2). Somente na quinta-feira (5), uma equipe médica da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Dom Bosco esteve na casa dos pais da criança para oferecer apoio social e, também, psicológico.

Já o Corpo de Bombeiros informou que não faz vistorias preventivas em escolas.

 

"Tragédia anunciada"

 

O coordenador do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) Subsede Betim, Luiz Fernando de Souza Oliveira, definiu o acidente que matou Kaíque Apolinário dos Santos como uma “tragédia anunciada”.   “Não temos relatos de vistorias nas escolas de Betim nos últimos quatro anos. Essa culpa é da prefeitura e não pode ser transferida para a direção e os professores. As escolas da cidade estão abandonadas e superlotadas”, disse.   Oliveira denunciou, ainda, que o Caixa Escolar, usado para o pagamento de água, luz, limpeza e manutenção das escolas municipais, não tem reajuste há quatro anos. Ele também informou que os repasses estão sendo feitos com atraso. “O pagamento deve ser feito às instituições até o quinto dia útil. Mas o do mês de janeiro, por exemplo, só foi pago em fevereiro. A prefeitura precisa rever isso. A história já mostrou que cortar investimentos na educação não dá certo”.   Ofício Após a tragédia ocorrida na Escola Municipal João Batista Machado de Brito, a Secretaria Municipal de Educação encaminhou um ofício para todas as instituições de ensino do município solicitando que a direção informe os itens que precisam de manutenção; como escadas, salas, cozinha, área de circulação e quadra de esportes.   O objetivo, segundo nota da assessoria de imprensa do Executivo, é identificar ações e serviços emergenciais que necessitam ser executados.   Sobre o Caixa Escolar, a assessoria de imprensa informou que, no período entre 2013 e 2015, os repasses para as unidades educacionais receberam um reajuste de 10%. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave