Generais e guerrilheiros começam a negociar a paz na Colômbia

A equipe deverá apresentar propostas para o fim definitivo das hostilidades aos negociadores de paz do governo e da guerrilha comunista das Farc

iG Minas Gerais | AFP |

Uma subcomissão formada por generais e guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) começou nesta quinta-feira, em Havana, uma sessão de trabalho conjunta sem precedentes para preparar o fim do conflito armado no país, embora ainda haja obstáculos nas negociações de paz.

Seis oficiais militares, liderados pelo major general Javier Florez, participam desta primeira reunião com comandantes rebeldes. A equipe deverá apresentar propostas para o fim definitivo das hostilidades aos negociadores de paz do governo e da guerrilha comunista das Farc.

"Este passo é inédito", declarou à AFP um diplomata que acompanha o processo de paz, explicando que nunca antes líderes militares e comandantes da guerrilha se reuniram.

"A subcomissão foi criada há muito tempo, mas esta é a sua primeira reunião de trabalho", indicou o diplomata, que pediu para não ser identificado.

Flórez chegou ao Palácio das Convenções, em Havana, juntamente com o chefe dos negociadores do governo, Humberto de la Calle, e com o comissário nacional da paz, Sergio Jaramillo, seguido por outros oficiais e outros membros da equipe.

Nenhum militar fez declarações à imprensa, o que é comum na delegação do governo nestas conversações destinadas a pôr um fim ao conflito armado que já dura meio século e que deixou 220 mil mortos e 5,5 milhões de deslocados, segundo dados oficiais.

A subcomissão começa a trabalhar no momento em que o processo de paz atravessa seu momento mais delicado, após a recusa das Farc de ir para a prisão, uma afirmação que complica o governo de Juan Manuel Santos, sob o olhar atento da comunidade internacional que pede justiça para as vítimas do conflito.

Homenagem das Farc a Chávez

Os rebeldes também não falaram sobre a subcomissão, mas aproveitaram a ocasião para homenagear o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez (1999-2013), no segundo aniversário de sua morte.

"Nesta data, 5 de março, comemoramos a marcha para a eternidade do comandante Hugo Chávez Frías, indiscutível líder da Venezuela bolivariana e um dos máximos representantes dos interesses populares em nossa América", declarou o comandante Fidel Rondón.

Chávez teve um papel fundamental neste processo de paz, tendo convencido os "líderes das Farc de que os tempos de luta armada terminaram na América Latina e que agora é o momento de fazer política através das urnas", explicou à AFP um diplomata latino-americano.

A subcomissão discutirá as medidas para acabar com o conflito, próximo item da agenda de paz, enquanto os negociadores continuam a discutir sobre o tema da reparação às vítimas.

Os demais militares desta equipe são os brigadeiros generais Martín Fernando Nieto e Alfonso Rojas Tirado (Exército), Oswaldo Rivera (Aéronautica) e Alvaro Pico (Polícia), e o contra-almirante Orlando Romero (Marinha).

Todos os oficiais usavam terno e gravata em vez de uniforme, dado que as partes concordaram em iniciar as negociações em novembro de 2012 sem que nenhum participante usasse emblemas em suas roupas.

A subcomissão, de 10 membros para cada parte, trabalhará nas quintas e sextas. Os líderes da guerrilha nessa equipe são os comandantes Carlos Lozada e Joaquín Gómez.

O início dos trabalhos da comissão foram adiados, entre outros motivos, pela interrupção sofrida pelo processo de paz em novembro, após a captura pelas Farc do general Rubén Alzate, que se aventurou em uma zona de selva controlada pela guerrilha.

Alzate foi libertado duas semanas depois, o que permitiu a retomada das negociações, mas, em seguida, houve uma pausa de 40 dias no final do ano.

As partes acordaram até o momento três dos seis pontos da agenda e, desde 20 de dezembro, as Farc mantêm um cessar-fogo unilateral por tempo indeterminado.

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