PSD põe deputado na suplência, e pastor não poderá disputar comissão

O PSD decidiu tirar o deputado da titularidade da comissão e o transferir para a suplência, o que o impede de disputar a chefia da comissão

iG Minas Gerais | Folhapress |

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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Numa tentativa de evitar uma candidatura alternativa para o comando da Comissão de Direitos Humanos na Câmara, o PSD anunciou nesta quinta-feira (5) a troca da indicação do deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), que postulava a presidência do colegiado.

O PSD decidiu tirar o deputado da titularidade da comissão e o transferir para a suplência, o que o impede de disputar a chefia da comissão.

Aliado do pastor Silas Malafaia e pastor da Assembleia de Deus, Sóstenes teve sua candidatura articulada pela bancadas evangélicas e da bala para tentar derrotar o PT.

Pelo acordo de líderes que dividiu o comando das comissões da Casa entre os partidos, caberia a um petista a de Direitos Humanos. A legenda indicou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) para o posto.

O partido tem a prerrogativa de designar seus representantes nas comissões da Câmara. Para não configurar a quebra de acordo, o PSD sugeriu que Sóstenes seja indicado como relator do polêmico Estatuto da Família, projeto que define família apenas como união entre homem e mulher e que, na prática, pode proibir a adoção de crianças por casais gays.

"Na impossibilidade de o deputado reavaliar seu posicionamento, o PSD age com coerência e mantém um dos principais pilares morais da política: a palavra", disse o líder do PSD, Rogério Rosso (DF).

Integrantes da bancada dos religiosos, no entanto, ainda articulam alternativas para tentar dar fôlego à candidatura de Sóstenes.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) telefonou para o pastor e disse que estaria disposto a ceder sua vaga de titular para o colega se ele estivesse disposto em manter sua candidatura para chefiar a comissão.

Outra opção seria trabalhar algum nome do Pros, que compõe o bloco do PT, para tentar apresentar sua candidatura. Entre os nomes citados na bancada está o deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF).

'POSTURA DIFERENTE'

Na manhã desta quinta -e antes da decisão do PSD-, Cavalcante disse à Folha de S.Paulo que queria ser presidente da CDH Câmara com "uma postura diferente de Marco Feliciano" (PSC-SP).

"Essa comissão tem gente de extrema direita, como é o caso do Bolsonaro, e o pessoal da extrema esquerda, que são petistas, o PSOL, que estão ali para defender só um tipo de bandeira, que são legítimas. Quero ser árbitro desses dois extremos e trazer para o diálogo. Quero trazer pautas que a sociedade realmente demanda. Não quero ser presidente para frear minoria. Acho que a minoria tem o seu direito. Vamos colocar para votar matérias de interesse da minoria", disse.

Cavalcante disse que, como "árbitro", apoia a discussão sobre aborto e casamento entre homossexuais; afirma que não pretende discutir decisões tomadas pela Justiça, como a união civil entre pessoas do mesmo sexo ou a interrupção de gravidez para os casos já autorizados pela lei.

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