Comitê defende recrutamento de mães como espiãs na Inglaterra

Apesar dos progressos realizados nos últimos 15 anos, o relatório detectou que as mulheres atualmente representam apenas 37% da força de trabalho dos serviços de inteligência

iG Minas Gerais | AFP |

As agências de espionagem britânicas precisam deixar o preconceito de lado e esquecer o 'modelo James Bond': o comitê de inteligência e segurança do Parlamento conclui em um relatório a necessidade de recrutar mães de meia-idade.

Se tradicionalmente o MI5, o MI6 e o GCHQ buscavam discretamente espiões nas universidades de Oxford e Cambridge, os deputados pedem agora que utilizem fóruns on-line, como o Mumsnet, a "rede das mamães".

"As mulheres que tiveram filhos, que criaram suas famílias, que têm uma experiência de vida diferente. Não acredito que usamos este grupo de pessoas", disse a deputada Hazel Blears, autora do documento com as conclusões do comitê.

Apesar dos progressos realizados nos últimos 15 anos, o relatório detectou que as mulheres atualmente representam apenas 37% da força de trabalho dos serviços de inteligência, muitas em postos subalternos.

"Persistem as questões culturais e de comportamento que tornam mais difícil para as mulheres ocupar postos de responsabilidade", afirma o documento.

"Isto pode reforçar uma cultura de gestão que premia aqueles que falam mais forte ou são agressivos e não reconhece plenamente o valor de um enfoque mais consultivo e de colaboração", completa.

Assim como a atriz Judi Dench interpretou 'M', a diretora da agência de espionagem externa MI6, nos filmes mais recentes de James Bond, duas mulheres já comandaram o MI5, Stella Rimington e Eliza Manningham.

Mas atualmente as mulheres ocupam apenas 19% dos postos de inteligência de alta hierarquia, contra 38% no conjunto da administração pública.

Mas as coisas parecem estar melhorando e ano passado as mulheres representaram 44% dos novos recrutas do MI6 e 41% no MI5.

A agência que monitora as comunicações, a GCHQ, conta com apenas 29% de mulheres, resultado que Blears atribuiu, em parte, às dificuldades de atrair mulheres para um ambiente "muito tecnológico".

O documento recomenda mais estímulos para as mulheres e afirma que aquelas que estão em cargos operacionais "não devem ser deixadas de lado" depois de ter filhos.

Além de tentar recrutar mais mulheres, também foi registrado um esforço desde 11 de setembro de 2001 para contratar agentes de grupos étnicos minoritários.

"Se você parece comigo, então não pode atuar nas áreas que precisamos operar", afirmou Jonathan Evans, que já comandou o MI5.

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