E a tal da marcha vem aí

iG Minas Gerais |

Está marcada para o domingo, dia 15 de março, em todo o país a tal da marcha “cívica”. A gestação do movimento começou ainda no ano passado, logo após a vitória de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB) na briga pela Presidência da República. Era uma ação com viés revanchista, uma tentativa de criar nas ruas um clima de insatisfação contra o governo do PT. Agora, às vésperas da marcha, a ação de incitar um ambiente para um golpe de Estado ainda se faz presente, mas perdeu força pela multiplicidade de alvos e pela própria superficialidade dos argumentos de seus idealizadores. O governo do PT, é verdade, vai mal, e não é de hoje. A crise econômica e política é consequência de alianças espúrias e também de uma série de ações equivocadas do Planalto. Mas quem vai para a rua no domingo, provavelmente, fantasiado com a camisa da seleção brasileira, aquela da Nike de mais de R$ 250, tem certeza – ou pelo menos finge ter – da culpa do PT sobre toda a infelicidade de sua vida. Afinal, se o IPTU subiu, a culpa é da Dilma. Se o seu time perdeu, a culpa é da Dilma. Até os mandos e desmandos do Legislativo – leia-se Câmaras municipais, Assembleias estaduais e o Congresso – são culpa da Dilma. E quando a culpa não recai sobre a presidente, a responsabilidade vai para Lula e até para o Lulinha. Este último, vem se tornando – pelo menos na cabeça de alguns lunáticos – o dono do Brasil. A cada dia proliferam mais e mais boatos e informações sobre as posses do filho do ex- presidente, mas não se prova nada . Nunca houve-se tantos meios – e-mail, WhatsApp, Facebook... – para se desinformar tanto. Na semana passada, por exemplo, circulava nos smartphones de parte da população a gravação de um suposto informante sobre uma reação ao movimento de impeachment de Dilma. Forças Armadas de países como Bolívia e Venezuela estariam prontas para invadir o Brasil e se aliar a militares de esquerda (?) para proteger a presidente e evitar ações contra o seu mandato. Para alguém mais sensato, logicamente, se tratava de uma piada de mau gosto. Mas, infelizmente, bom senso anda em falta no mercado, e muita gente hoje ainda embarca nessas ondas de boataria, seja por ingenuidade ou puro oportunismo mesmo. Retornando à marcha “cívica”, ela sem dúvida é legítima do ponto de vista do direito de se expressar, pois protestar é importante e não há dúvida sobre o mau momento vivido pelo país. Porém é fundamental também ter discernimento e espírito crítico para não ser apenas uma marionete a repetir um discurso velho e reacionário, como essa história da volta dos militares ao poder.

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