Programa leva escola às crianças hospitalizadas

Objetivo é impedir que alunos internados percam o conteúdo educacional

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Docentes. 
Duas professoras foram designadas para ministrar aulas para 40 crianças na Santa Casa
Lincon Zarbietti / O Tempo
Docentes. Duas professoras foram designadas para ministrar aulas para 40 crianças na Santa Casa

A escola não é apenas o lugar das broncas, provas e disciplina. Principalmente na infância, é também lugar de brincadeira, de cair e ralar os joelhos, subir em árvores e se divertir. Para os pequeninos que são acometidos por alguma doença e precisam passar temporadas hospitalizados, além da saudade de casa, a escola também é deixada de lado. E para evitar que essas crianças percam o ano escolar e fiquem defasados, a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte criou o projeto “Criança Hospitalizada”, que leva a sala de aula para os leitos.

Na tarde desta quarta, foi inaugurada a Classe Santa Casa BH, que atenderá crianças entre 6 e 12 anos, internadas na unidade pediátrica do hospital. “É um projeto em parceria com hospitais. Já temos no Odilon Behrens e agora formalizamos com a Santa Casa. É um trabalho em que a gente pretende atender as crianças hospitalizadas, fazendo com que elas se sintam inseridas no contexto da escola, embora não estejam na escola”, explica a secretária Sueli Baliza.

A expectativa é que, a princípio, sejam atendidas cerca de 40 crianças. Foram destinadas duas professoras para as aulas. Mas, segundo Sueli Baliza, o número de profissionais vai variar, de acordo com a demanda. Essas professoras são selecionadas de acordo com sua habilidade para trabalhar em hospitais e passam por um teste técnico e psicológico. São profissionais concursadas da rede municipal. As aulas começaram nesta semana e devem acontecer de segunda a quarta-feira e nas sextas-feiras.

Leitos. Crianças que não podem se deslocar até a sala, recebem as aulas nos leitos. “Aqui é muito diferente do dia a dia de uma escola. A gente atende tanto na sala como nos leitos. Aí depende muito da condição da criança, e respeitamos muito esse momento. O mais interessante é que o projeto tem validade para a escola de origem da criança, já que atende à rede municipal”, explica a psicopedagoga da Santa Casa, Livsmeia Rafael.

Para a família é um alívio, afirma Edinéia Rocha Ferreira, que acompanha o neto. “Às vezes, ele me pede ajuda nas tarefas. Vejo que tem alguma dificuldade, e acho que é pela quantidade de aulas perdidas durante as internações. Com essas aulas, acho que isso vai melhorar muito”, afirma.

Mais aulas

Avanço. A secretária municipal de Educação, Sueli Baliza, informou que já estão sendo feitos estudos para a expansão do programa a outros hospitais da rede pública de saúde da capital.

Conteúdo Johnatan Gabriel Ferreira, 12, está internado na Santa Casa tratando um problema na uretra. As internações são frequentes e, por isso, perdeu vários dias de aula. Para ele, a possibilidade de aprender no hospital é uma novidade boa. “Agora vou voltar para a escola sabendo várias coisas novas. Além disso, não vou precisar fazer reposição de aulas nas horas em que estaria brincando. Normalmente venho e fico uma ou duas semanas aqui. Nesse tempo não vou perder nada. Hoje já aprendi sobre o corpo humano. E foi ótimo”, conta.

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