Farmacêutico que fingia ser médico é preso em BH

Homem cobrou R$ 7.000 por inseminação artificial e tentou subornar vítima

iG Minas Gerais | BÁRBARA FERREIRA / JOÃO PAULO COSTA / JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Endereço. Clínica onde seria feito procedimento fica na rua Rio Grande do Norte, na área hospitalar
LINCON ZARBIETTI
Endereço. Clínica onde seria feito procedimento fica na rua Rio Grande do Norte, na área hospitalar

O farmacêutico Caio Júlio César Garcia de Souza, 57, foi preso nesta quarta após se passar por médico e quase fazer inseminação artificial na mulher de um policial militar, uma técnica de enfermagem, de 33 anos, em uma clínica em Santa Efigênia, na região Leste da capital. O marido dela, o sargento Adriano Dias, procurou a Polícia Militar (PM) após descobrir que o homem a quem tinha dado R$ 7.000 para fazer o procedimento não é médico. O homem é processado em Rio Vermelho, no Alto Jequitinhonha, onde um outro casal alega que foi enganado.

“Minha mulher fez o pagamento inicial, mas começou a desconfiar do golpe. Pouco antes de fazer a coleta dos óvulos, ela pesquisou no Conselho de Medicina e descobriu que ele não era médico”, contou. Ainda segundo Dias, na consulta desta quarta, o casal revelou à Souza ter conhecimento de que ele não era médico e pediu o dinheiro de volta. “Ele nos levou a uma agência bancária e fez o estorno da quantia”, disse. Segundo o cabo Eduardo Alves, da 3ª Companhia do 1º Batalhão da PM, quando o sargento (marido da vítima) deu voz de prisão, o farmacêutico ofereceu R$ 30 mil para que eles não o denunciassem. As vítimas então acionaram uma viatura para efetuar a prisão do falso médico. Souza foi detido, encaminhado à Central de Flagrantes II, no bairro Floresta, na região Leste, onde confessou o crime, mas não quis falar com a imprensa. “Ele disse que é farmacêutico há 40 anos e começou com o golpe recentemente, por causa de dificuldades financeiras”, relatou Alves. ‘Infertilidade e Fé’. Segundo o cabo, a clínica – que leva o nome de Infertilidade e Fé – teria diversos outros médicos, de diferentes especialidades, mas apenas Souza foi alvo de denúncia. No receituário, ele se dizia especialista em infertilidade e imunologia viral, mas não colocava registro no Conselho de Medicina. O Conselho Regional de Farmácia (CRF) em Minas informou, em nota, que Souza está inscrito como responsável técnico do estabelecimento Imunologia Viral Laboratório e Consultoria Ltda, para exercer atividades de análises clínicas. A entidade informou que vai investigar o caso.

Serviço Canal. O CRF tem um canal direto para denúncias sobre profissionais com conduta antiética: http://www.crfmg.org.br/novosite/servicos/licenses/denuncias/denuncias-de-atuacao-farmaceutica.

Reincidência Alto Jequitinhonha. Outras vítimas do falso medico são de Rio Vermelho, cidade da região do Alto Jequitinhonha, onde um casal acionou a Justiça depois de também ter sido enganado. Valor. Segundo o advogado das vítimas, Edmílson Dias da Silva, o farmacêutico teria cobrado R$ 8.000 para realizar a fertilização. Processo. “Na quarta tentativa de fertilização, eles descobriram que não se tratava de um médico. Muito abalado, o casal solicitou que movêssemos uma ação por dano material contra ele”, contou o defensor.

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