Peixe-leão achado na costa brasileira deixa especialistas em alerta

Animal marinho é considerado uma grande ameaça à biodiversidade

iG Minas Gerais | Da Redação |

Considerado uma das maiores ameaças à biodiversidade marinha da costa do Caribe, o peixe-leão pode ter chegado de fato à costa brasileira. O primeiro exemplar da espécie foi avistado no Brasil há pouco menos de um ano, em Arraial do Cabo, mesmo local em que um grupo de mergulhadores afirma ter encontrado um segundo exemplar.

A informação está circulando no Facebook em um vídeo produzido por um mergulhadores da empresa Queiroz Divers. Em post na rede social, o grupo afirma que o peixe foi avistado no dia 1º de março. O vídeo foi postado na web no dia seguinte. “Assim que o encontramos, informamos aos órgãos competentes. Feito isso, eles nos solicitaram que postássemos o vídeo e divulgássemos para que pudéssemos unir nossas forças em prol da nossa região e capturá-lo”, diz o post da Queiroz Divers. Mas por que um peixe assusta tanto? Porque o peixe-leão, também chamado como peixe-peru e peixe-dragão, não encontra predadores naturais no Mar do Caribe nem no Atlântico, podendo se tornar uma grande ameaça à biodiversidade desses locais. Ele é considerado um predador voraz, com grande capacidade de capturar e comer tudo que encontra pela frente. Em pouco tempo, torna­se o peixe dominante do ecossistema, como aconteceu em algumas regiões do Caribe, em detrimento de todas as outras espécies que habitam os recifes. Sem um controle, os outros peixes nativos do ecossistema acabam tendo suas populações drasticamente reduzidas ou podem desaparecer por completo. O peixe-leão é muito usado de forma ornamental. A hipótese levantada por biólogos é que ele tenha sido introduzido no Brasil, fora de seu habitat, pelo mercado de aquários. 

No Caribe, solução encontrada foi incentivar consumo do peixe Nos anos 80, no Sul dos Estados Unidos, o peixe-leão também apareceu sozinho, um único indivíduo. E depois multiplicou-se e fez um estrago por todo o mar do Caribe. A espécie chegou às águas da península de Yucatan, no México, em 2009, e rapidamente os pescadores perceberam a queda na produção de peixes como garoupas e pargos. O pescado tinha virado alimento do peixe-leão. E ele come qualquer coisa que passe por sua garganta. A estratégia encontrada no Caribe foi comer o peixe. Em Cancun e Cozumel, cada pescador chega a pescar 25 kg de peixe-leão. Vendidos nos Estados Unidos para enfeitar aquários, os peixes-leão teriam sido jogados no mar por quem desistia de mantê-los em casa. Outra hipótese é a de que o furacão Andrew, que passou pela Flórida em 1992, tenha destruído lojas de animais e levado os peixes para o oceano.

Dificuldade de controle Na região do Caribe, faz 20 anos que tentam erradicar o peixe-leão e não conseguem. Além disso, ele se reproduz rapidamente. O que se pode fazer é apenas controlar a expansão da população, por meio da caça. Ainda assim, sua pele rajada e seu formato assimétrico facilitam ainda mais sua camuflagem, tornando muito difícil sua visualização em meio aos corais e algas marinhas. Seu comportamento também dificulta o controle da população, já que ele não costuma criar grandes cardumes e se esconde em meio aos recifes e cavernas marinhas. Para caçá-lo, não servem redes e varas. É preciso usar o arpão e pegar um a um.

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