Após crise, a reaproximação

Ministro Pepe Vargas teve encontro fora da agenda com presidente do Senado, Renan Calheiros

iG Minas Gerais |

Estratégia. Presidente Dilma Rousseff se reuniu, ontem, com líderes da base aliada no Congresso
ANDRE DUSEK
Estratégia. Presidente Dilma Rousseff se reuniu, ontem, com líderes da base aliada no Congresso

Brasília. O Palácio do Planalto tenta se reaproximar do presidente do Senado, Renan Calheiros, mas ao mesmo tempo avalia que a atitude de Calheiros, de devolver a Medida Provisória (MP) 669 – que anula o programa de desoneração da folha de pagamento das empresas –, foi um ato isolado e uma tentativa de dividir as atenções num dia em que seu nome apareceu ligado ao escândalo de corrupção da operação Lava Jato.  

Responsável pela articulação política do governo com o Congresso, o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) procurou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na tarde desta quarta para tentar se reaproximar do peemedebista e ajustar as relações entre o governo e o Legislativo.

Apesar da tensão entre os dois poderes, Pepe minimizou a situação e disse que a decisão de Renan deixou clara a importância de o governo discutir e ouvir o Congresso antes de enviar qualquer medida ou proposta de lei.

“Obviamente que o presidente Renan, com essa sinalização, quis deixar claro e isso ele diz também, que é importante que o governo discuta mais as propostas antes de encaminhá-las e inclusive chame os partidos da base para discuti-las antes de encaminhá-las”, disse.

Questionado se sua visita ao Senado tinha o objetivo de também distensionar a relação com Renan, Pepe disse apenas que o peemedebista “sempre foi uma pessoa cordata. Ele nunca deixa de atender a um telefone da gente, ele liga também. Acho que não se trata de uma tensão, mas de um aprimoramento de relação”, disse.

Ao chegar ao Senado, Pepe teve que esperar por mais de meia hora a chegada de Renan. O encontro entre os dois não estava na agenda de nenhum deles e foi decidida em cima da hora.

O ministro afirmou ainda que Renan também pediu que o governo envie rapidamente ao Congresso uma proposta de reajuste na tabela do Imposto de Renda, mas ressaltou que qualquer proposta seja negociada com os parlamentares antes.

“Ele mostrou a sua visão de que seria importante o governo encontrar uma saída negociada em torno do veto do Imposto de Renda, de construir uma alternativa negociada com as duas casas e nós vamos trabalhar nos próximos dias para ver o que é possível nesse sentido”, afirmou.

Apesar da tensão entre os dois poderes, Pepe afirmou, ao fim da reunião, que discutiu com o peemedebista a agenda futura do Congresso, priorizando a votação do orçamento para este ano. “Temos interesse de que se vote logo a lei orçamentária para que a execução orçamentária possa entrar em uma normalidade maior e ao mesmo tempo discutir o encaminhamento dos vetos”, disse.

Antes do encontro com Renan, o ministro falou com jornalistas e deu o tom do estremecimento: “(Renan) faz parte de um partido da base, nós não consideramos o presidente Renan um adversário, consideramos o presidente Renan um parlamentar e um presidente do Senado, que faz parte do partido do vice-presidente da República, que faz parte dos partidos que compõem o nosso governo. Se estremece ou não estremece relação, o que nós temos que fazer é dialogar com ele. Se alguém tem insatisfação só tem um jeito: é sentar, conversar e ouvir eventualmente essas insatisfações”, disse.

Sem problema

Reação. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, minimizou a atitude de Renan. Segundo ele, a iniciativa não prejudica as intenções do governo de promover o ajuste.

Impeachment Presidente do partido Solidariedade, o deputado federal Paulinho da Força (SP) disse nesta quarta que consulta advogados sobre a possibilidade apresentar na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, a presidente jogou a crise para o Congresso e a Casa precisa devolvê-la ao Palácio do Planalto. O deputado afirmou que os seus advogados o aconselharam a esperar a crise aumentar antes de apresentar o pedido.

Fogo amigo A presidente Dilma Rousseff fez duas tentativas antes de conseguir conversar, por telefone, no final da noite de terça-feira, com o presidente do Senado. Só teve sucesso depois de telefonar para um líder próximo ao senador que passou o telefone para Renan Calheiros. A conversa teria sido cordial. Renan explicou para a presidente que a decisão do Senado de devolver ao governo a Medida Provisória que reduz benefícios fiscais à empresas teve como propósito fortalecer as instituições.

Ministro diz que haverá novos cortes Brasília. O ministro Pepe Vargas disse nesta quarta que o governo fará corte de “outros gastos” se o Congresso não aprovar medidas de ajuste fiscal propostas originalmente pelo Palácio do Planalto. Pepe afirmou que “não há risco” de que a meta de superávit primário de 1,2% do PIB não seja cumprida. “Se eventualmente o Congresso fizer algum ajuste nas medidas que encaminhamos, alguma emenda, isso obviamente será ajustado no corte de outros gastos”, disse o ministro, sem detalhar quais seriam esses novos cortes.

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