MoMA exibe o exotismo de Björk em nova exposição

Munido da trilha sonora apropriada, o visitante passeia entre os figurinos, fotos, partituras e diversos objetos que recontam o trabalho de Björk ao longo dos anos

iG Minas Gerais |


Visitantes têm a oportunidade de imergir na música de Björk
TIMOTHY A. CLARY
Visitantes têm a oportunidade de imergir na música de Björk

NOVA YORK, EUA. Quinze anos se passaram desde que o curador do MoMA, Klaus Biesenbach, iniciou sua jornada para tentar convencer a cantora islandesa Björk a aceitar a ideia de ter uma retrospectiva criada para o museu, em Nova York.

Ao finalmente aceitar, em 2012, a artista impôs a ele uma condição. “Ela me disse: ‘Eu sou, primeiro e principalmente, música. É possível para o MoMA fazer uma exposição em que a música seja uma experiência autêntica, como uma pintura é?’”, conta o curador.

O resultado do desafio pode ser visto a partir deste domingo (8), na mostra que reconta os pouco mais de 20 anos da carreira de Björk, 49, desde o lançamento de seu primeiro álbum solo “Debut”, de 1993, até seu último trabalho, “Vulnicura”, lançado em janeiro deste ano.

O centro da exposição é um tour labiríntico batizado de “Songlines” – algo como “linha do tempo de canções”. Ao entrar, o visitante recebe um guia de áudio que alterna músicas da cantora com uma biografia fictícia em forma de poesia, escrita por seu amigo islandês Sjón.

Munido da trilha sonora apropriada, o visitante passeia entre os figurinos, fotos, partituras e diversos objetos que recontam o trabalho de Björk ao longo dos anos.

Estão lá os diários da cantora escritos desde os 9 anos de idade. Também é possível ver o vestido de cisne eternizado após sua aparição no tapete vermelho do Oscar de 2001, em um manequim de Björk feito em 3D – há outros espalhados pela “linha do tempo” – ao lado dos robôs do clipe de “All Is Full of Love”, de 1999.

“Björk é a artista paradigmática dos anos 90”, afirma Biesenbach. “Esse período foi sobre a estética relacional e a colaboração entre arte, cinema, moda e fotografia”.

Em sua carreira, a cantora islandesa fez experimentações com sons, imagens, tecnologia e temas que variavam da natureza ao feminismo. Ao longo dos anos, colaborou com diversos artistas, estilistas e cineastas como Michel Gondry e Lars von Trier.

Para mostrar os videoclipes que são a síntese dessa colaboração, o MoMA montou um cinema em que é possível assisti-los em ordem cronológica.

Mas, para o curador, a principal peça da exibição é um vídeo de dez minutos, financiado pelo museu e gravado na Islândia, para a música “Black Lake”, um hino do coração partido que está no novo álbum de Björk, escrito após sua separação do artista plástico norte-americano Matthew Barney.

“Foi uma jornada incrivelmente íntima para mim”, disse a artista, na apresentação do vídeo. A exposição fica em cartaz até 7 de junho.

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