O fim abrupto do Ballet Jovem

Com explicações rasas, Fundação Clóvis Salgado anuncia o fim do Ballet Jovem do Palácio das Artes após oito anos

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Sem despedida. Bailarinos e produtores do Ballet Jovem do Palácio das Artes foram pegos de surpresa com a notícia de que o projeto chegara ao fim
Paulo Lacerda - Fundação Clóv
Sem despedida. Bailarinos e produtores do Ballet Jovem do Palácio das Artes foram pegos de surpresa com a notícia de que o projeto chegara ao fim

Foi com tristeza e consternação que a classe artística recebeu, nesta quarta, a notícia do fim abrupto do Ballet Jovem do Palácio das Artes. O projeto surgiu em agosto de 2007, com o intuito de preencher a lacuna existente entre a formação e a inserção de bailarinos no mercado. Valorizando o protagonismo juvenil no setor cultural mineiro e brasileiro, o Ballet Jovem contava com um corpo de dança formado por 32 dançarinos, com idades a partir de 15 anos, que cumpriam agenda de apresentações no Grande Teatro do Palácio das Artes, em espaços diversos de Belo Horizonte, no interior do Estado e em festivais Brasil afora.

Segundo a diretora do Ballet Jovem, Andréa Maia, a notícia surgiu de forma inesperada, durante uma rotineira reunião de planejamento com representantes da Fundação Clóvis Salgado (gestora do Ballet Jovem), na última terça-feira. “Ainda estou muito surpresa. Fui à reunião com uma pasta de planejamento para 2015, com diversos projetos engatilhados, quando me comunicaram que iriam cortar o projeto”, conta. “A justificativa foi a falta de verba para manter o Ballet Jovem. Tentei ao máximo argumentar, propondo cortes na folha de pagamentos durante o momento de crise, para evitar o encerramento. Afinal, é um projeto de sucesso, com oito anos de atividades intensas. Mas não teve jeito. Pediram para cancelar todos os ensaios logo no dia seguinte”, diz.

A reportagem de O TEMPO enviou perguntas sobre os motivos do encerramento do projeto à Secretaria de Estado de Cultura do Governo de Minas, mas não obteve resposta. Em nota, o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Augusto Nunes-Filho, afirma que “infelizmente, apesar dos nossos esforços, não houve captação de recursos suficientes para a manutenção desse projeto”. Segundo o texto, o Ballet Jovem “é um projeto financiado por mecanismos de incentivo à cultura, a exemplo da Série Concertos no Parque, do FestCurtasBH e das temporadas de Óperas”. 

Conforme apurado pela reportagem com integrantes do corpo de dança, o Ballet Jovem era formado por 16 bolsistas, que recebiam mensalmente R$ 860. O custo também incluía o pagamento da equipe de produção e direção, formada por três profissionais, chegando a um total que não ultrapassava R$ 20 mil.

Andréa Maia explica que o problema é que o Ballet Jovem não se configurava como um corpo estável – como a Companhia de Dança do Palácio das Artes, por exemplo –, uma vez que era profissionalizante e formava bailarinos que seguiam para outras companhias – inclusive estudantes do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes (Cefar). “Foram oito anos servindo a Fundação. Atendendo às demandas, formulando parcerias e contribuindo para a formação artística e de caráter desses jovens”, ressalta. “A angústia é que são bailarinos que ainda não estão preparados para entrar numa companhia profissional. Que buscavam essa preparação no Ballet Jovem e, agora, não têm para onde ir. Eles choraram muito, mas, apesar de jovens, aprenderam comigo a importância da disciplina e do comprometimento com a dança”, afirma. Andréa conta ainda que o grupo de bailarinos se organizou para alugar um espaço e continuar as aulas, a fim de não perder a continuidade dos estudos.

A bailarina Bárbara Maia, 21, diz que os bailarinos ficaram chocados com a notícia, que surgiu uma semana após o grupo se apresentar pela 41ª Campanha de Popularização do Teatro & Dança. “Acredito que a própria Fundação não conheça o grupo, não saiba da sua importância na cena mineira e na formação de profissionais para o mercado”, defende. “Era um trabalho muito firme e honesto, que formou profissionais que agora dançam em renomadas companhias brasileiras e do exterior. Uma porta aberta, que, infelizmente, agora se fecha”, lamenta a bailarina.

Nova direção O Circuito Cultural Praça da Liberdade também terá mudanças – a partir deste mês, o projeto passa ser gerido pela Secretaria de Estado de Cultura e não mais pela Fundação Sergio Magnani, que pretende investir a verba de R$ 4.563.101 até dezembro de 2015.

Sem resposta

Por que o Ballet Jovem acabou?

Quantocustava manter o Ballet Jovem?

Quais Outros outras mudanças podem acontecer na Fundação Clóvis Salgado?projetos também podem vir a acabar?

Em números

153.392 espectadores até a última semana

185 apresentações, sendo 123 em Belo Horizonte 119 bailarinos integraram o elenco do grupo 34 bailarinos foram para companhias profissionais

15 premiações nacionais

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