Resgatados corpos de 17 mortos em explosão de mina no leste da Ucrânia

O acidente ocorreu na mina de Zassiadko, uma das maiores da Ucrânia, onde trabalham 10.000 funcionários

iG Minas Gerais | afp |

Os corpos de 17 mineiros mortos numa explosão nesta quarta-feira (4) foram resgatados em Donestk, no leste rebelde pró-russo da Ucrânia, e as buscas por outros 16 desaparecidos continuam.

O acidente ocorreu na mina de Zassiadko, uma das maiores da Ucrânia, onde trabalham 10.000 funcionários, apesar da guerra. Antes, havia sido anunciado o resgate de 10 corpos pelas autoridades regionais leais à Ucrânia e pelos separatistas.

"Os corpos de 17 mineiros, mortos de manhã na explosão de metano na mina de Zassiadko de Donetsk, foram encontrados soterrados", informou à AFP Yuliana Bedilo, porta-voz da representação local do ministério de Situações de Emergência.

"O destino de outros 16 homens ainda é desconhecido. As buscas continuam", afirmou.

A descoberta de nove mortos pela explosão havia sido comunicada pela administração da região leal ao governo da Ucrânia, que agregou que os mortos passavam de dez.

Um responsável separatista, Ivan Prikhodko, confirmou os números à AFP.

Segundo as autoridades ucranianas e os rebeldes, 230 pessoas se encontravam na mina quando ocorreu a explosão.

Um alto funcionário da administração da autoproclamada República de Donetsk, Maxime Lechchenko, havia afirmado anteriormente que "198 pessoas foram evacuadas", entre elas um morto.

O presidente do Parlamento ucraniano, Volodymyr Groisman, afirmou em um primeiro momento que os mineiros haviam morrido, mas horas mais tarde disse que não tinha certeza sobre o destino dos trabalhadores.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, enviou uma mensagem de pêsames às famílias das vítimas e sua porta-voz, Sviatoslav Tsegolko, anunciou que será decretado um dia de luto quando o número de mortos for confirmado.

"Temos informações sobre ao menos 32 mortos, mas não sabemos exatamente quantos mineiros seguem no fundo da mina", havia declarado anteriormente à AFP Mykoça Volynko, um líder sindical.

O líder de outro sindicato, dos funcionários da indústria mineradora, declarou que "não havia nenhuma comunicação com as 32 pessoas" desaparecidas.

"Os socorristas sabem que em tal situação as possibilidades de sobrevivência são quase nulas", completou esta fonte sindical contactada pela AFP.

Os familiares dos mineiros, muitos deles em lágrimas, continuavam chegando aos arredores da mina controlada por rebeldes armados.

Vários veículos de socorro estavam na entrada da mina, informou um jornalista da AFP.

A mina está situada no distrito de Kievski da região de Donetsk, não muito longe do aeroporto, cenário de graves combates desde maio de 2014 e que está sob controle rebelde desde janeiro de 2015.

Diante da entrada da mina, Valentina Dziub, 72 anos, espera, chorando, por novidades de seu filho Vladimir, de 47 anos.

"Tenho medo de que ele tenha morrido", disse Valentina Dziub à AFP.

"Este ano iria se aposentar. Ninguém me disse nada. Soube da notícia pela televisão. Todas as famílias estão indignada por isso", completou.

A mina de Zasiadko sofreu nos últimos anos vários acidentes mortais.

Em novembro e dezembro de 2007, uma série de explosões provocou a morte de 106 pessoas.

Outros 55 mineiros morreram em uma explosão em 2001 e 50 em 1999.

Essa mina está controlada pelo deputado Iukhim Zviaguilski, ex-aliado do presidente pró-russo Viktor Yanukovich, destituído em fevereiro de 2014 após vários meses de manifestações pró-Europa em Kiev.

Os mineiros denunciam há anos as violações das regras de segurança.  

Leia tudo sobre: acidentemina de carvãovítimasucrâniaexplosão