Delator diz que propina para Renan ‘furou’ teto de 3%, segundo jornal

Percentual era o limite dos repasses a políticos no esquema de corrupção, mas, segundo Paulo Roberto Costa, propina excedeu montante para chegar ao presidente do Senado

iG Minas Gerais | Da redação |


Irritado com informação, Renan Calheiros agiu contra o governo
Jonas Pereira
Irritado com informação, Renan Calheiros agiu contra o governo

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás e primeiro delator da operação Lava Jato, afirmou durante as investigações que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu propina em contratos da Diretoria de Abastecimento que "furou" o teto de 3% definido como limite dos repasses a políticos no esquema de corrupção. A informação foi revelada pelo blog de Fausto Macedo, do portal "O Estado de S.Paulo", na tarde desta quarta-feira.

Segundo as investigações, o esquema envolvia o loteamento de diretorias da Petrobrás pelo PT, PMDB e PP. Por meio delas, eram arrecadados entre 1% e 3% de propina em grandes contratos Segundo Costa, a propina excedeu os 3% para que "fosse incluído um valor para Renan".

Nesta terça-feira, interlocutores do Planalto confirmaram que Renan Calheiros foi avisado de que estaria na lista feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com nomes de políticos que serão alvos de investigação. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, também teria sido avisado.

Nesta quarta, mais cedo, o senador negou ter sido avisado. "Não fui comunicado por ninguém e acredito que o Eduardo [Cunha, presidente da Câmara dos Deputados] também não, nem pelo Planalto", afirmou Renan ao chegar ao Senado.

Antes mesmo de a PGR ter enviado a lista de inquéritos para o STF, Renan reagiu atacando o governo e barrando uma das principais medidas do ajuste fiscal proposto pela presidente Dilma Rousseff.

O peemedebista determinou a devolução de uma medida provisória que aumentava tributos pagos por empresas de vários setores, apresentada pelo governo ao Congresso no fim da semana passada.

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