Fio de TV a cabo incomoda frentista que mata porteiro em Vespasiano

Crime aconteceu na porta do trabalho da vítima, em abril do ano passado; frentista e porteiro eram vizinhos, segundo as investigações

iG Minas Gerais | Bernardo Almeida |

Um frentista foi preso por matar o vizinho em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. O motivo: um fio de TV a cabo que invadiu a casa do suspeito. Ele foi apresentado à imprensa pela Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira (4).

O assassinato ocorreu em abril do ano passado, no bairro Morro Alto. O porteiro de um centro educativo do projeto Curumim, Paulo Henrique de Oliveira Ramos, de 24 anos, estava na porta do local onde trabalhava. Era domingo, e não havia atividades no local. Após chegar ao centro às 7h, o porteiro foi à padaria, onde comprou café e biscoitos e, ao chegar novamente a seu posto, por volta de 9h20, um carro com dois homens parou à sua frente, um deles desceu, chamou por Paulo e atirou duas vezes contra ele, um disparo no rosto e outro no peito, matando o que resultou em sua morte.

“Foi um caso complexo, porque o Paulo tinha passagens por uso e tráfico de drogas, então inicialmente também trabalhamos com a possibilidade de ser um acerto de contas, mas a família nos dizia que ele estava tentando se redimir, então não acreditavam que essa fosse a causa”, disse o delegado Sérgio Paranhos, da delegacia de Polícia Civil de Vespasiano. “A única pista que tínhamos era o carro utilizado pelo autor dos disparos, um que era um Gol Vermelho”.

Durante a investigação, os policiais descobriram que 15 dias antes do crime, Paulo havia se desentendido com seu vizinho, o frentista A.U.A.C., de 25 anos, proprietário de um Gol Vermelho, que a polícia acredita que ele estava dirigindo.

“Paulo morava com a esposa e contratou um serviço de TV por assinatura, e eles passaram o cabo por cima do telhado da garagem do Afonso. Isso provocou uma discussão entre os dois, Afonso, que vivia com esposa e filhos, ameaçou Paulo e destruiu o cabo”, afirma Paranhos. “Foi difícil chegar a essa causa porque é um motivo muito fútil, uma coisa que qualquer pessoa civilizada resolveria conversando”, diz. Afonso já tinha passagem policial por outro caso, por ameaça.

De acordo com o delegado, Afonso confessou que estava no carro, mas alegou que quem efetuou os disparos foi seu comparsa, W.L.C.A., de 28 anos, de apelido "Neguinho", que também morava na região. "Neguinho" também foi ouvido e confessou participação à época, mas atribuiu os disparos a Afonso.

“Uma testemunha descreveu o autor dos disparos como um homem branco e magro, características que indicam que foi Afonso quem atirou. Os dois suspeitos disseram que estavam sob o efeito de álcool e cocaína, que haviam consumido durante a madrugada anterior ao crime. Eles sabiam onde a vítima trabalhava e a rotina dele”.

W. foi morto a tiros em novembro do ano passado. “Estamos iniciando as investigações sobre a morte dele, mas não podemos associar a este crime porque ele tinha inúmeras passagens pela polícia por outros delitos, como uso de drogas, homicídio, porte ilegal de armas e por dirigir embriagado. Na época da morte de Paulo, ele estava em regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica”, disse o delegado Paranhos.

Na época em que matou Paulo, Afonso trabalhava em um posto de gasolina no próprio bairro Morro Alto, onde também morava. Pouco tempo depois, ele se mudou para um bairro próximo, e estava trabalhando em um posto de gasolina na região do Seis Pistas, na cidade de Nova Lima, também na região metropolitana de Belo Horizonte.

Foi nesse posto em que ele foi preso, no dia 10 de fevereiro deste ano, durante cumprimento do mandado. Afonso está no presídio de Vespasiano, e irá responder por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima, com pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão.

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