Promessa para 2011, BHTrans ‘engaveta’ painéis eletrônicos

Belo Horizonte tem apenas 650 dos 1.500 equipamentos que já deveriam estar nos pontos de ônibus

iG Minas Gerais | Joana Suarez |



Com o sol e a falta de cobertura de abrigo danificado na avenida Afonso Pena não é possível ler o visor
JOAO GODINO/ O TEMPO
Com o sol e a falta de cobertura de abrigo danificado na avenida Afonso Pena não é possível ler o visor

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) prometeu, para 2011, instalar 900 painéis em pontos de ônibus da capital com informações em tempo real sobre os horários de chegada dos ônibus. No ano passado, com a implantação do Move, outros 600 equipamentos entraram na lista. O problema é que hoje, anos depois, apenas 650 estão em funcionamento – 382 nos pontos convencionais e 268 nas estações do Move. Eles representam 7% do total de pontos de ônibus da capital.

Agora, o diretor de transporte público da autarquia, Daniel Marx, afirma que os 850 dispositivos que faltariam para completar os 1.500 prometidos não têm prazo para entrar em funcionamento. “Não temos necessidade de instalar agora todos os painéis previstos no contrato de 15 anos com as empresas. Não seria interessante porque ainda temos o corredor da Amazonas que vai vir e uma licitação de 1.100 novos abrigos que serão substituídos nos pontos de ônibus. E o custo de reimplantação do equipamento seria nosso, e não das concessionárias”, explicou. Resta então aos 1,6 milhão de passageiros da capital continuar esperando no ponto pelos painéis que ainda serão instalados, sem data prevista. O sistema é uma importante ferramenta de informação ao usuário para calcular seu tempo de espera. Mas ainda é muito restrito a regiões de maior movimento na área central (avenidas como a Amazonas e a Nossa Senhora do Carmo, apesar de terem pontos de ônibus cheios, ainda não dispõem dos painéis), nem sempre tem a precisão desejada e muitas vezes está com defeito. Erros. Para fazer sentido a instalação dos aparelhos e atrair o usuário, eles precisam de ajustes. A reportagem percorreu pontos da cidade e percebeu que, mesmo tendo sido planejado há sete anos e passado por muitos testes, o Sistema Inteligente de Transporte Coletivo (Sitbus) da capital ainda tem falhas. A central de monitoramento da BHTrans já estaria em pleno funcionamento, pois toda a frota de ônibus possui GPS, mas o software que calcula o tempo e repassa aos usuários ainda tem falhas. O painel eletrônico de um ponto da avenida Afonso Pena, no centro, mostrava que a linha 9101 estava se aproximando, mas ela já tinha saído. A próxima viria em dois minutos, mas chegou em dez. “Sabe que eu nem lembro que tem isso (painel)?! Ele está sempre estragado, e quando é horário de pico, os ônibus demoram muito mais que o que diz ali (no visor)”, destacou a auxiliar de serviços gerais Marilene Ferreira, 42. No ponto onde ela estava, na avenida Professor Morais, o dispositivo estava com defeito. A enfermeira Karine Cláudia Generoso, 40, também não tem o costume de olhar o painel. “Pego ônibus sempre na rua Jacuí e lá não tem, então nem reparo muito nos outros locais”. Em outro ponto, um cobrador de ônibus, que também é usuário, contou que o sistema não contabiliza o tempo em que o ônibus fica parado no embarque. “Ele continua marcando cinco minutos. Mas, apesar dos problemas, no geral é um bom sistema”, disse o cobrador.

Perguntas sem resposta Silêncio. A BHTrans informou em nota que o “Sitbus tem como objetivo a melhoria da segurança, regularidade, pontualidade e confiabilidade do serviço”, mas não respondeu a uma série de perguntas, como “se a cidade está sempre em construção, nunca seria possível instalar os painéis?” e “como são a manutenção e os ajustes dos equipamentos?”. Ajustes. Sobre os erros do sistema, a BHTrans afirma, em nota, que vem trabalhando junto com o desenvolvedor, “de forma a maximizar a confiabilidade das indicações. A tendência é que de forma gradual haja um aumento da qualidade das informações”. Empresas. A reportagem tentou falar com o Sindicato das Empresas do Transporte (Setra), responsável pelo sistema, sem sucesso.

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