Presença de amigos faz beber mais, diz pesquisa

Ministério Público vai investigar festas clandestinas com competições alcoólicas

iG Minas Gerais | larissa veloso |

Abuso. Estudantes bebem doses de vodca durante competição que levou estudante à morte
Reprodução / TV Globo
Abuso. Estudantes bebem doses de vodca durante competição que levou estudante à morte

A morte do mineiro Humberto Moura Fonseca, após beber mais de 20 doses de vodca em uma competição, revelou o quão perigosa pode ser a influência social para o consumo de álcool. Agora, um estudo realizado por pesquisadores dos Estados Unidos, Suíça e Holanda com 183 jovens adultos suíços comprova que o fato de se estar em grupo tem influência direta sobre o quanto bebemos.  

A pesquisa revelou que, quanto maior a quantidade de pessoas presentes na mesa de bar, maior o número de drinques e copos que cada participante tende a beber. Além disso, a pesquisa revelou que os homens são mais suscetíveis a esse fenômeno do que as mulheres. O estudo foi feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, de Radboud, na Holanda, e por um instituto da cidade de Lausanne, na Suíça.

Mas não é preciso ir longe para observar esse fenômeno. “Aqui também já observamos sim esse fenômeno da pressão do grupo. Se o grupo faz, eu, para me sentir pertencendo, também faço”, esclarece a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecília Marques.

festa clandestina. O Ministério Público Estadual (MPE) abriu inquérito para apurar as condições da festa na qual Humberto morreu. Para o MPE, o evento era clandestino, pois não tinha alvarás para ser realizado. O MPE suspeita que as festas de estudantes se tornaram um negócio, com organizadores que obtêm lucros financeiros enquanto colocam a segurança dos frequentadores em perigo.

O inquérito foi aberto pelas promotorias dos Direitos do Consumidor, da Arquitetura e Patrimônio e da Criança e do Adolescente. Mas não é o primeiro; desde novembro de 2014, o MP de Bauru apura, em outro inquérito, a realização de festas clandestinas na cidade; duas delas chegaram a ser canceladas por liminares obtidas pelo MP na Justiça. “Abrimos um inquérito exclusivo para a festa de sábado, porque houve uma morte, e pessoas foram internadas”, explicou o promotor do consumidor Libório Nascimento. 

Coma

Alta. Na segunda, o estudante Mateus Pierre Carvalho, internado em coma alcoólico após a festa, teve alta. Duas estudantes continuam internadas, mas já deixaram a UTI.

Sindicância A Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai abrir sindicância para apurar as responsabilidades pela festa na qual Humberto morreu. A medida foi determinada pela Assessoria Jurídica da Unesp, que não informou o prazo para conclusão dos trabalhos. A iniciativa, segundo a Unesp, servirá para investigar as irregularidades, apontar quais estudantes da escola participaram da organização da festa e das competições com bebidas alcoólicas, e punir os responsáveis.

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