Pimentel confirma sobretaxa

Governador disse que, se população não economizar, vai ter racionamento em três ou quatro meses

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Na Fiemg. 
Pimentel ouviu demandas do setor industrial mineiro, mas admitiu crise hídrica grave
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Na Fiemg. Pimentel ouviu demandas do setor industrial mineiro, mas admitiu crise hídrica grave

Enquanto o governador Fernando Pimentel alertava sobre a possibilidade de racionamento nos próximos três ou quatro meses e confirmava a adoção, em breve, de sobretaxa para quem não economizar água, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior, afirmava que, caso ocorra um racionamento de água de 30% para o setor industrial, muitas empresas poderão fechar.  

As declarações foram feitas nesta terça durante evento que apresentou o Pacto de Minas pelas Águas. Segundo Pimentel, o desafio é grande. “Se não mudarmos o hábito de consumo para economizar água, se não aumentarmos a captação e mantida a reservação de água, nós vamos ter que racionar daqui a três ou quatro meses. Para evitar isso, é preciso reduzir o consumo, fazer a obra para aumentar a vazão do rio Paraopeba para o rio Manso e reduzir os vazamentos na rede”, declarou.

A primeira ação do governo para incentivar a redução do consumo de água será a sobretaxa, que está sendo estudada junto a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae). “O que estamos propondo é uma sobretaxa para quem gastar acima da média do ano passado. Acredito que vamos ter esse instrumento, que é importante para incentivar o consumidor a se manter dentro da média ou abaixo dela. Nós precisamos, na verdade, cair a média de consumo. E se gastar acima da média nós vamos sobretaxar”, afirmou.

O documento apresentado nesta terça pela Fiemg reúne propostas que visam diminuir as consequências da crise hídrica no setor industrial do Estado envolvendo tanto os industriais como o governo estadual. “(Se) vamos reduzir em 30% (a água) empresas vão parar. Temos que fazer uma escolha. Nós queremos o desemprego ou queremos administrar melhor? O que estamos propondo é administrar melhor os recursos e acredito que tem esse caminho”, disse nesta terça o presidente da entidade.

Segundo o Pacto de Minas pela Água, a Fiemg se compromete a cooperar para o atingimento das metas de redução propostas pelo governo de Minas entre outras ações, mas também demanda do governo medidas em contrapartida, como reduzir as perdas de água no sistema de abastecimento da Copasa e revisar mecanismos tarifários e regulatórios. A Fiemg também pede incentivos ao Estado para aqueles que conseguirem atingir suas metas de redução de consumo. “O governo pode dar incentivos e criar condições para que a gente invista (na economia). Pode ser através da redução de ICMS, pode ser criação de créditos futuros”, afirmou Olavo Machado.

Para ele, a sobretaxa não preocupa o setor industrial, “se tiver regras e for bem aplicada. O que a gente espera do governo é agilidade. Um não bem dado é melhor que um mais ou menos que nunca acontece”, concluiu.

Outorgas Cadastro. Para Olavo Machado, falta um cadastro competente dos recursos hídricos no Estado. “Vocês não imaginam a quantidade de fontes de água que ninguém pode mexer porque a lei não permite” criticou.

Agricultura em SP pode ter racionamento São Paulo. O governo de São Paulo desenvolveu um plano de racionamento de água para produtores rurais, mas deve esperar até o fim do mês para decidir se ele será implementado ou não, disse o secretário de Agricultura do Estado, Arnaldo Jardim. “Se chover mais do que o normal, os produtores devem conseguir se manter até a próxima estação de chuvas”, disse. Caso haja racionamento, os primeiros alvos do governo serão os produtores rurais que não possuem licença para captação de água.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave