Rituais e baboseiras

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Nos últimos dez anos, duas estratégias predominaram no futebol mundial, o que melhorou muito a qualidade do jogo. Uma, a estratégia da Espanha, principalmente do Barcelona, com Pep Guardiola, de diminuir os espaços entre os setores e a distância entre o jogador mais recuado e o mais adiantado; de comandar o jogo, pressionar quem está com a bola e tentar recuperá-la perto do outro gol; e de trocar muitos passes, manter a posse de bola e esperar alguém se infiltrar para finalizar. A outra estratégia, a mais usada pelos demais europeus, de, quando perder a bola, iniciar a marcação no meio-campo, para reduzir os espaços na defesa; de formar uma linha de quatro armadores (dois volantes e um meia de cada lado), à frente dos quatro defensores; e de contra-atacar, com troca de passes e velocidade. As duas estratégias são eficientes e se completam. Hoje, a maioria das grandes equipes usa as duas, durante o mesmo jogo, de acordo com o momento. O futebol brasileiro foi por outros caminhos, de ter mais espaços entre os setores e zagueiros encostados à grande área; de ter vários volantes apenas marcadores, com um único meia responsável pela armação das jogadas; e de excessos de bolas longas, chutões e lances isolados, individuais e coletivos, com pouca troca de passes. Isso começou a mudar com o Corinthians, campeão do mundo. Parecia um time europeu. Tite, agora, repete a mesma estratégia. O Cruzeiro, com Marcelo Oliveira, foi pelo mesmo caminho e se tornou bicampeão brasileiro. Os times dirigidos por Oswaldo Oliveira são também organizados e possuem a mesma estrutura. Outros treinadores, principalmente após a Copa de 2014, começaram a mudar, mas a maioria das equipes continua indefinida, com os vícios de tempos atrás. Não podemos confundir esporádicos e belos lances, individuais e coletivos, como o primeiro gol do São Paulo, contra o Danúbio, muito bem exaltado pelo mestre Juca, com um padrão coletivo de atuar, do início ao fim. Juca, mais uma vez, foi excessivamente generoso ao me elogiar. Sinto-me, ao seu lado e ao do PVC, como na Copa de 1970, cercado de craques. Juca elogiou também minha simplicidade. É apenas a consciência de minha insignificância e a do ser humano. Muitos relacionam o jogo coletivo com a união do grupo. São situações bem diferentes. União do grupo é a consciência de que, para o jogador brilhar, primeiro, tem de ter um bom conjunto e de que, às vezes, é necessário deixar de atuar como sabe melhor para beneficiar o coletivo. União do grupo não é fazer churrasco entre os jogadores e a comissão técnica, todos se abraçarem com gritos de guerra, antes de entrarem em campo. Não é também o jogador elogiar o companheiro e o técnico, em entrevistas formais, nem participar de tantos outros rituais e baboseiras.

Fraco elenco O Atlético, para reagir, tem de jogar no Independência, no estilo de Levir Culpi, do fim do ano passado, com troca de passes e velocidade, da defesa para o ataque. Trocar passes e ser veloz não são excludentes. Pelo contrário, se completam. A maneira de jogar, na época de Cuca, funcionou muito bem porque havia Ronaldinho, que colocava a bola aonde queria, nas faltas e nos cruzamentos, e Jô, um centroavante alto e em boa fase. Mas o problema maior tem sido as ausências de Douglas, Marcos Rocha, Lucas Pratto e, agora, Leonardo Silva. Todos os reservas são fracos. Ao contrário do que diziam, o elenco não é bom. Falam muito ainda da ausência do ótimo preparador físico Carlinhos Neves. Não é o problema.

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