Hillary usou e-mail pessoal para trabalho como secretária de Estado

Pela lei federal, cartas e e-mails escritos e recebidos por funcionários federais são considerados registros de governo e deveriam ficar disponíveis para que comitês parlamentares, historiadores e jornalistas possam consultá-los

iG Minas Gerais | Folhapress |

Lançamento. Ex-primeira dama Hillary Clinton autografou cópias de seu novo livro ontem, em Nova York
Bebeto Matthews
Lançamento. Ex-primeira dama Hillary Clinton autografou cópias de seu novo livro ontem, em Nova York

Hillary Clinton usou apenas um e-mail pessoal em seu trabalho como secretária de Estado, entre 2009 e 2013, o que poderia configurar uma violação a ordens federais. As informações foram repassadas ao "The New York Times" por funcionários do Departamento de Estado.

A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama, que é o principal nome democrata para as eleições presidenciais de 2016, não teria usado nenhum e-mail funcional em seus quatro anos à frente da diplomacia americana. Além disso, seus assessores não teriam tomado ações para preservar a conta pessoal de Hillary nos servidores do Departamento, algo exigido pela lei federal.

Para ex-funcionários e funcionários atuais da Administração dos Arquivos e Registros Nacionais, o uso de uma conta privada de forma tão extensiva constitui uma ruptura grave.

Foi para atender a uma demanda da atual gestão no Departamento de Estado que assessores de Hillary revisaram, dois meses atrás, milhares de páginas de suas mensagens do endereço pessoal para definir quais seriam enviadas ao Departamento de Estado para serem arquivadas. Cerca de 55 mil páginas foram encaminhadas ao final.

"É muito difícil conceber um cenário onde uma agência poderia permitir que seu chefe usasse apenas um e-mail privado como canal de comunicação para conduzir questões de governo", disse ao "Times" o advogado Jason R. Baron, do escritório Drinker Biddle & Reath e que ocupou um posto de diretoria nos Arquivos Nacionais.

Pela lei federal, cartas e e-mails escritos e recebidos por funcionários federais, como o secretário de Estado, são considerados registros de governo e deveriam ficar disponíveis para que comitês parlamentares, historiadores e jornalistas possam consultá-los. Há exceções, é claro, para materiais confidenciais e sensíveis.

Um porta-voz de Hillary, Nick Merrill, defendeu o uso do e-mail pessoal pela chefe, dizendo que ela cumpriu com o "espírito da lei". Merril disse ainda que, como Hillaty enviava e-mails para funcionários do Departamento em seus endereços do governo, ela imaginou que as mensagens ficariam registradas de qualquer forma.

A divulgação sobre os e-mails pessoais deverá reforçar ainda mais as críticas sobre a falta de transparência do casal Clinton. É improvável, no entanto, que Hillary sofra algum tipo de punição por não ter cumprido com a regra federal. 

Leia tudo sobre: e-mailHillary