Energia cara vai fazer inflação do ano fechar em quase 8%

Além de arcar com a alta na conta, consumidor ainda terá o repasse do setor produtivo

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Energia cara. 
Consumidores bancam o preço mais alto em suas faturas e também o repasse do setor produtivo, que é imediato
CEMIG/DIVULGAÇÃO
Energia cara. Consumidores bancam o preço mais alto em suas faturas e também o repasse do setor produtivo, que é imediato

O Reajuste Tarifário Extraordinário (RTE) das contas de energia, que foi de 23,4%, em média, no país, vai pressionar a inflação. Em março, somente a conta de luz deve responder por 0,9 ponto percentual na inflação, que deve ser de 1,24% de acordo com cálculos da Tendências Consultoria. Depois que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) oficializou os índices de RTE na última sexta-feira, a Tendências revisou para cima a previsão de inflação do ano: de 7,3% para 7,9%. As duas projeções são acima do teto da meta definido pelo governo, que é de 6,5% ao ano.

“A previsão anterior (de 7,3%) já tinha embutida uma projeção de reajustes extraordinários e das bandeiras, mas eles vieram acima da expectativa”, diz a analista de inflação da Tendências, Adriana Molinari. Ao todo, a Aneel concedeu reajustes extras a 58 distribuidoras. Adriana lembra que aquelas do Sul e Sudeste, que têm mais peso na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, tiveram reajustes acima da média. A Cemig, por exemplo, reajustou nesta segunda as tarifas em 28,8%, em média. As contas da Eletropaulo (SP) subiram 31,9% e as da AES Sul (RS) subiram 39,5%. “As distribuidoras com mais peso tiveram reajustes acima da média”, reforça ela. Além desse impacto direto na inflação, o aumento no custo da energia ainda terá um impacto indireto. Isso porque todos os produtos dependem de energia elétrica para sua produção e esse custo será repassado ao preço dos produtos, que vai subir. O mesmo ocorre com o preço dos serviços. Mais aumentos. Além dos reajustes extraordinários, as distribuidoras terão direito também ao reajuste anual, cuja data varia de acordo com cada empresa. No caso da Cemig, o novo aumento entrará em vigor em 8 de abril. O percentual ainda não foi definido, mas a Tendências calcula que, em média, será de 15% para cada distribuidora.

Esse reajuste é para cobrir as variações normais de custo das distribuidoras. O reajuste extraordinário, que já está valendo, cobre a alta no custo da energia de Itaipu, os gastos extras no período de estiagem e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que é um fundo setorial destinado a bancar programas sociais do setor, empréstimos das distribuidoras e a redução das tarifas ocorrida em 2013. Nos dois últimos anos, o Tesouro bancou parte desta conta. Em 2015, a cota do Tesouro era estimada em R$ 9 bilhões, mas o governo cancelou o repasse e a conta ficou com o consumidor. 

Focus prevê IPCA alto e o pior crescimento do PIB em 25 anos Brasília. Azedou ainda mais a percepção, já negativa, de economistas do setor privado sobre a economia neste ano. A perspectiva é de uma inflação ainda mais alta do que a esperada anteriormente, puxada por uma nova rodada de elevação das projeções para os preços administrados. Com isso, a taxa básica de juros (Selic) deve subir para 13% ao ano no próximo mês e permanecer neste nível até o fim de 2015. O boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda, mostra que não se pode esperar um alento na expansão da economia. A expectativa de retração do PIB passou de 0,50% para 0,58% em uma semana, o que seria a pior recessão dos últimos 25 anos no país. A previsão de inflação para o ano é de 7,47%.

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