Delegado diz que estudantes foram induzidos a beber mais

Investigações apontam para série de omissões por parte dos organizadores

iG Minas Gerais | Litza Mattos |


Humberto aparece em vídeo de evento
Reprodução / TV Globo
Humberto aparece em vídeo de evento

“Melhor morrer de vodca do que de tédio”. A frase registrada como uma das citações preferidas do universitário mineiro Humberto Moura Fonseca, 23, é uma infeliz coincidência escrita pelo estudante em seu perfil no Facebook. Ele morreu depois de participar de uma competição alcoólica, onde teria bebido 30 doses de vodca e entrado em coma alcoólico durante uma festa na cidade de Bauru, em São Paulo, no último sábado. A polícia ainda está coletando elementos para apurar a responsabilidade dos organizadores e já ouviu mais de dez pessoas. Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kléber Granja, durante a reconstituição dos fatos, uma das testemunhas explicou como aconteceu a gincana da qual Humberto participou. “Efetivamente, houve o induzimento da parte dos organizadores para que houvesse competição entre os estudantes”, analisa. Dois estudantes, Luís Henrique Scafi, 22, e Gabriel Juncal, 25, apontados como os organizadores da festa, tiveram a liberdade provisória obtida por meio de alvará de soltura concedido pelo juizado de plantão. O delegado responsável pelo caso critica a Justiça. “Eles haviam sido presos em flagrante e escoltados para a carceragem até que o Judiciário adotou o princípio da liberdade provisória pelo fato de eles terem bons antecedentes e residência fixa, mas não concordo. Pela comoção e da forma como o fato repercutiu no meio social de Bauru e em Minas Gerais, a prisão teria que ter sido mantida”, contesta Granja. Para o delegado, a morte do jovem de Passos ocorreu por uma “série de ações e omissões coordenadas e que deveriam ter sido evitadas pelos organizadores”, uma vez que eles estabeleceram regras, mas não dispuseram de um aparato de suporte médico suficiente para o evento. “Segundo a enfermeira, a UTI móvel não dispunha de aparato nem para os primeiros socorros. Acreditamos que o veículo não deve ter nem alvará para funcionar como tal”, diz. Em entrevista concedida à Band News FM, a mãe do estudante de engenharia elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Josely Pinto de Moura, também culpou o atendimento médico falho pela morte do filho e disse que Humberto nunca teve problemas com bebida ou drogas.

Skol se omite Nos vídeos divulgados na internet, os estudantes aparecem vestidos com camisas estampadas com a marca da bebida. No entanto, a assessoria de imprensa da Ambev não soube informar se a marca foi uma das patrocinadoras do evento e se limitou a dizer que “lamenta o ocorrido”.

Chá de boldo Os organizadores da festa pagaram R$ 100 para uma enfermeira e a mesma quantia para o motorista da ambulância presente no local, que trazia apenas uma maca, uma tábua e folhas de boldo amassadas com água, segundo o delegado Kléber Granja.

O que disse a prefeitura de Bauru No Facebook: Festas que aconteceriam nos próximos dias foram canceladas. Disse a um jornal local: Ao menos dez pessoas que estavam no mesmo evento foram atendidas, segundo o secretário de Saúde de Bauru, Fernando Monti. Fiscalização: O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse que festas divulgadas no meio universitário dificultam a fiscalização.

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