A inteligência do reino vegetal

Arquiteto e paisagista reúnem espécies e informações úteis

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |


Sobrevivência.
 A preservação das árvores é a própria sobrevivência da espécie humana, e o desmatamento desmedido tem trazido consequências como a escassez de água
Ana Elizabeth Diniz
Sobrevivência. A preservação das árvores é a própria sobrevivência da espécie humana, e o desmatamento desmedido tem trazido consequências como a escassez de água

Em tempos em que a escassez de água é um tema preocupante e vai exigir da civilização humana um novo modelo de sobrevivência, o lançamento do livro “Nossas Árvores – O Resgate do Sagrado”, do arquiteto Carlos Solano e da paisagista Sandra Siciliano (ver agenda) traz um frescor de esperança ao se debruçar sobre significados, usos terapêuticos, poesias, lendas, informações, curiosidade e cuidados sobre o reino vegetal.  

“A situação é complexa, e sabemos que o desequilíbrio das chuvas pode estar relacionado ao desmatamento geral, que acontece intensivamente desde a colonização, e, especialmente, na Amazônia. Essa floresta transpira bilhões de toneladas de vapor d’água ao ano, que, levados pelos ventos, se precipitam sobre 75% do país em chuvas abundantes. Mais desmatamento significa menos umidade no ar e menos nuvens de chuva”, analisa Solano.

E a preocupação com as árvores e o planeta tem criado mundialmente um elo de boas práticas e ações. É o caso da escritora canadense e cofundadora da ecovila escocesa Findhorn, Dorothy Maclean, que, em sua visita ao Brasil, em 2008, sentenciou: “As árvores trazem a beleza do infinito ao planeta. Incorporam qualidades como força e perenidade. Canalizam paz. Quer estejam nos desertos, nas cidades ou nas florestas, irradiam uma benevolente estabilidade, que tem grande influência sobre os seres humanos”.

Para Dorothy e o arquiteto Carlos Solano, todo o reino vegetal é permeado de uma “inteligência”, com a qual é possível se comunicar. “No livro, eu e Sandra propomos um resgate dessas qualidades que as árvores expressam, algumas amplamente reconhecidas por tradições religiosas e culturais. Talvez por ‘ligarem’ céu e terra, as árvores já foram uma espécie de centro ou eixo do mundo para diferentes povos”, diz o arquiteto.

Para ele, as árvores “simbolizaram o cosmos em toda a sua extensão, já que as raízes falam do nível subterrâneo; o tronco, da terra; os ramos, do céu. Ainda são sinônimos de evolução e regeneração cíclica ao longo das estações, frutificando a terra com suas sementes. As árvores têm em si os quatro elementos: a terra junto às raízes, a água na seiva, o ar na respiração das folhas; o fogo na fotossíntese, realizada pela ação da luz do sol. Para muitas culturas, as árvores são símbolos de fertilidade e uma manifestação da trindade divina sobre a Terra, por meio de raízes, tronco e ramos”.

Essa visão do mundo levou o arquiteto a criar, em 2007, a campanha “Vamos plantar 1 milhão de árvores”, cujo apelo era não apenas o plantio de árvores, mas o “plantio” de boas atitudes e de consciência.

“Ela pede a participação ativa de cada pessoa nesse momento tão desafiador, pois árvores se relacionam ao clima, ao ar, à água, ao ritmo das chuvas. O planeta é a verdadeira casa de todos nós. Podemos mudar de endereço, mas não de planeta. Por isso, a nossa ação é tão importante. Queremos que cada um plante a sua árvore e perceba que as pequenas ações do dia a dia, quando multiplicadas por milhares de pessoas, é que fazem a diferença no contexto mundial”. 

A preservação das árvores é a própria sobrevivência humana. “Na natureza, uma espécie sustenta a outra não só na alimentação, mas criando ambientes adequados para que todas possam viver. Imagine um castelo de cartas onde cada uma seja uma espécie de inseto, animal, vegetal, e, no topo, o homem. O que acontece se alguém for tirando algumas cartas? Talvez o castelo resista por um tempo, mas acabará desmoronando. Quando destruimos as árvores, retiramos ‘cartas’ que afetam diretamente os ecossistemas, os recursos naturais, o clima, as chuvas e brincamos de demolir o ‘castelo’ onde moramos”, adverte Solano.

AGENDA: O lançamento do livro “Nossas Árvores – O resgate do Sagrado” acontece no dia 7 próximo, das 9h às 12h, no Parque Municipal de Belo Horizonte.

Participe

Para aderir. Depois de plantar a sua árvore, acesse o site www.ummilhaodearvores.org.br e indique no contador o número de árvores plantadas. A nova meta é plantar 190 milhões de árvores.

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