Fidel Castro alfineta os EUA em encontro com espiões cubanos

Líder diz que prisões eram desnecessárias, pois tudo era vigiado de uma base russa

iG Minas Gerais |

Última imagem de Fidel era de entrevista dada em 23 de janeiro
Estudio Revolución / Divulgação
Última imagem de Fidel era de entrevista dada em 23 de janeiro

Havana, Cuba. O líder cubano Fidel Castro recebeu no sábado em sua casa os cinco agentes cubanos condenados nos Estados Unidos por espionagem – dois deles cumpriram penas e três foram trocados por um espião –, segundo um texto publicado nesta segunda.

“Eu os recebi no sábado, 28 de fevereiro, 73 dias depois de terem pisado em terra cubana, e fui feliz durante horas ouvindo relatos maravilhosos de heroísmo do grupo”, escreveu Castro, que recebeu os agentes em sua residência, na zona Oeste de Havana.

Além do texto, o jornal oficial “Granma” publicou 13 fotografias do encontro, que durou cinco horas. Fidel Castro, muito magro, aparece nas imagens com uma roupa esportiva azul e camisa branca.

Em todas as fotografias, Castro, 88, afastado da vida pública desde 2006, está sentado. Em algumas imagens estão sua companheira, Dalia Soto del Valle, e o sobrinho, o coronel Alejandro Castro Espín, filho do presidente Raúl Castro.

O “pai da revolução cubana” reiterou que Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Fernando González, René González e Antonio Guerrero “nunca provocaram qualquer dano aos Estados Unidos, pois apenas tentavam prevenir e impedir os atos terroristas contra a ilha” espionando grupos anticastristas.

“A inteligência cubana não precisava em absoluto acompanhar os movimentos de uma única equipe militar dos Estados Unidos, porque podia observar do espaço tudo o que se movia sobre nosso planeta através da Base (russa) de Exploração Radioeletrônica Lourdes, ao sul da capital de Cuba”, explicou.

No texto, Fidel Castro explica que demorou a receber os agentes porque “o principal em sua chegada era saudar seus familiares, amigos e o povo, sem descuidar por um minuto da saúde e o rigoroso exame médico”. “Os cinco”, como são conhecidos em Havana, foram detidos em 1998 ao lado de 14 pessoas acusadas de integrar a Rede Avispa, considerado o maior grupo de espiões cubanos detectados em operações nos Estados Unidos.

Caçada desumana e prisão brutal Fidel Castro destacou que os agentes foram vítimas de uma “caçada desumana”, da qual participaram os próprios organismos de investigação (norte-americanos), e que foram condenados a uma “prisão brutal por juízes venais”. Criticou as duras condições de prisão que enfrentaram “ao respirar o ar úmido, fedorento e repugnante dos porões de uma prisão ianque”. Disse que demorou a receber os agentes porque “o principal em sua chegada era saudar seus familiares, amigos e o povo”.

Negociações “construtivas” Genebra, Suíça. Cuba participará com “espírito construtivo” das negociações com os Estados Unidos, apesar das profundas diferenças entre os dois países, garantiu o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, na plenária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta segunda. “A parte cubana contribuirá com espírito construtivo, apegada a suas convicções, disposta à cooperação internacional, e será respeitosa e transparente”, disse.

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