‘Quem matou Boris Nemtsov?’

Teorias conspiratórias atribuídas ao Ocidente ganham força entre aliados do Kremlim após crime

iG Minas Gerais |

Liberada. A modelo que acompanhava Boris quando ele foi morto, Ganna Douritska, viajou de volta à Ucrânia ainda
na noite desta segunda, após ser liberada pelas autoridades
DARIA BUZNIKOVA/AFP
Liberada. A modelo que acompanhava Boris quando ele foi morto, Ganna Douritska, viajou de volta à Ucrânia ainda na noite desta segunda, após ser liberada pelas autoridades

Moscou, Rússia. Quem matou o opositor Boris Nemtsov, assassinado sexta-feira a tiros a dois passos do Kremlin? “Não há dúvida de que o assassinato de Nemtsov foi organizado pelos serviços de inteligência ocidentais para provocar um conflito interno na Rússia”, declarou o líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov.

“É a maneira como eles fazem: primeiro pegam alguém sob sua asa, e o chama de ‘amigo dos Estados Unidos e da Europa’, e depois o sacrificam para acusar as autoridades locais. A condenação à morte (de Nemtsov) ordenada em uma capital ocidental pode muito bem ter sido executada pelo serviço secreto ucraniano”, de acordo com Kadyrov.

O presidente russo Vladimir Putin deu o tom ao falar de “provocação”, logo após o anúncio da morte de Nemtsov, crítico radical do Kremlin que denunciava a corrupção do poder e o envolvimento da Rússia na guerra na Ucrânia.

O analista político Alexei Martynov ressaltou que “os norte-americanos reagiram com uma rapidez suspeita (ao assassinato de Nemtsov). O texto já estava claramente pronto”. “Tudo isso é parte da guerra de informação travada pelos Estados Unidos e a Europa contra Putin e a Rússia”, acrescentou o ex-chefe do FSB (serviço secreto russo) e membro do partido governista Rússia Unida, Nikolai Kovalev.

Para o primeiro vice-presidente da Duma, Ivan Melnikov, trata-se de um complô orquestrado pelos inimigos da Rússia: “Se você olhar para o momento escolhido, tem o ar de uma provocação sangrenta organizada com os mesmos objetivos de quando o Boeing (da Malásia) foi abatido, em 17 de julho de 2014 no leste Ucrânia. Com que objetivo? Semear a desordem no país e desencadear a histeria anti-russa no exterior.”

A namorada de Boris Nemtsov, que testemunhou o assassinato e contou ter sido retida na Rússia, foi liberada na noite desta segunda para deixar o país e viajar para sua casa, em Kiev, anunciou um porta-voz do ministério ucraniano das Relações Exteriores. A modelo ucraniana Ganna Douritska partiu nesta segunda mesmo rumo a Kiev. “Investigadores me interrogam e não me dizem quando estarei liberada, nem porque me retêm aqui”, declarou durante o dia a jovem de 23 anos à emissora de TV a cabo da oposição Dojd.

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