Parcerias artísticas e políticas

Coletivo de dança apresenta segunda edição d o projeto Movasse & Parceiros em Cena

iG Minas Gerais | Joyce Athiê |

“Playlist”. Do Coletivo Movasse, espetáculo receberá novos artistas de diferentes linguagens em um trabalho de improvisação
Guto Muniz
“Playlist”. Do Coletivo Movasse, espetáculo receberá novos artistas de diferentes linguagens em um trabalho de improvisação

Criado há nove anos permeado pelo conceito de trânsito livre, o Coletivo Mossave, que reúne quatro bailarinos – Andréa Anhaia, Carlos Arão, Fábio Dornas e Ester França –, realiza a segunda edição do Movasse & Parceiros em Cena. Em uma conversa com diferentes linguagens – dança, música, teatro e vídeo –, o coletivo angaria amigos e parceiros de diversas áreas em um encontro de caráter colaborativo em todos os trabalhos que serão apresentados de 5 a 8 de março, no Teatro Alterosa.  

Fábio Dornas ressalta que a ideia da mostra é trazer o significado da palavra parceria como uma condição de trabalho e fomentar um espaço aberto para as diversas formas de fazer e pensar as artes. Embora o conceito parta da hibridização de linguagens desses diversos parceiros, ao olhar a programação do evento, vê-se separadamente as “caixinhas” do teatro, da música e da dança. “Nós ainda estamos caminhando para essa hibridização completa, estamos no segundo ano ainda. E para que ela aconteça, precisamos estar maduros e fazer o diálogo acontecer de fato. Mas promover essa mostra juntos já é um começo”, pondera Ester França. Kiko Klaus, compositor que participa da mostra, diz que as interfaces se dão também em outro lugar. “Não sou bailarino, mas me alimento da dança e estar nesse evento já me faz repensar o meu trabalho porque o público é outro”, explica.

A parceria é também fundamento da curadoria da mostra, que traz artistas que já desenvolveram ou estabelecem diálogos artísticos em outras situações. A mostra tem início na quinta-feira com o teatro, representado pelo espetáculo “Para Desacreditar no Amor”, dirigido por Mariana Muniz. Em duas cenas, são apresentados textos das novas dramaturgas Renata Mizrahi (RJ) e Ana Regis (MG). Os trabalhos rimam amor com humor, como uma forma de fugir dos clichês holywoodianos. Um apresenta situações como a tentativa de um casal heterossexual de manter uma relação de amizade após uma separação e o outro lida com a traição entre duas mulheres.

A música se faz presente na segunda noite com o espetáculo embrionário do novo disco de Kiko Klaus, em produção. O show “O Homem pós Máquina”, reúne, além de Kiko, os multiartistas Rafael Martini e Pedro Durães e o videoartista Alexandre Pires, que fundem a música eletrônica e outras linguagens desenvolvidas por eles em trabalhos anteriores, como a criação popular autoral e música instrumental. “A música contemporânea se alimentou da eletrônica já na década de 80 com beat box, samplers e loopings. A ideia do pós vem de algo que já foi digerido e que agora essa digestão interfere na criação de arranjos que se tornam mais orgânicos”, diz Kiko. Também as projeções que se transformam em vídeo-cenário se alimentam dessa digestão e conjuga planos sequências e imagens que se repetem constantemente.

O sábado é dedicado à dança e traz três trabalhos. Dois deles vêm do projeto Dança Jovem, uma iniciativa do Coletivo Movasse que desde 2005 promove uma ponte entre o jovem dançarino e o mercado. Nos trabalhos “Quem com quê” e “Em #todolugar”, o amor é novamente tema. Embora tratado de forma diferente, têm em comum a participação dos bailarinos que trouxeram elementos autobiográficos e foram estimulados a serem também criadores. Ainda na terceira noite, Cibele Maia e Luciana Lanza apresentam “Monumento-terceiro Estudo sobre Legado”, trabalho embasado na dança contemporânea e no grafite, tornando evidente a efemeridade de cada ser, suas marcas e afetações nas estruturas que compõem o espaço público e urbano.

A programação fecha no domingo com o “I Encontro de Políticas Públicas para Dança – Mecanismos de Fomento, pela manhã, e à noite com o já conhecido, porém sempre novo, “Playlist”, do Movasse, um trabalho de improviso em que o público escolhe alguns temas que são propostos pelo grupo e que congregam diferente sugestões musicais. Seguindo a proposta de desequilibrar e desestabilizar, dessa vez, o coletivo traz a participação de Sônia Mota, Mário Nascimento, Jomar Mesquita, em um misto de pesquisas de linguagens da dança. Jomar Mesquita, dançarino da Mimulus Cia de Dança, diz que, quando recebeu o convite, acreditou que ele fosse estendido à sua parceira de trabalho Juliana Macedo. “Sou um dançarino da música de salão, só sei dançar a dois. Não sei como vai ser com todas essas pessoas que têm trabalhos tão diferentes do meu,” comenta.

Agenda

O quê. MostraMovasse & Parceiros em Cena

Quando. De quinta a domingo

Onde. Teatro Alterosa (av. Assis Chateaubriand, 499, Floresta)

Quanto. R$ 15 (inteira) R$ 7,50 (meia) na bilheteria do teatro

Programe-se Teatro Quinta, 5/3 20h30 – Abertura 21h – “Para Desacreditar no Amor”, dirigido por Mariana Muniz Música Sexta, 6/3 21h – “O Homem pós Máquina”, com Kiko Klaus, Rafael Martini, Pedro Durães e Alexandre Pires Dança Sábado, 7/3 21h - “Quem com o quê” e “Em #todolugar”, do projeto Dança Jovem, e “Monumento- terceiro Estudo sobre Legado”, de Cibele Maia e Luciana Lanza Dança Domingo, 8/3 9h30 – I Encontro de Políticas Públicas para Dança – Mecanismos de Fomento 20h – “Playlist” Coletivo Movasse, Sônia Mota, Mário Nascimento e Jomar Mesquita

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