Youssef acusa deputado mineiro

Em depoimento, doleiro diz que Luiz Fernando Faria (PP) indicou empreiteira para obra de refinaria

iG Minas Gerais |

Resposta. Luiz Fernando Faria respondeu que não recebeu valores nem indicou empreiteira para obra
ELTON BONFIM CâMARA DEPUTADOS - 26.2.2009
Resposta. Luiz Fernando Faria respondeu que não recebeu valores nem indicou empreiteira para obra

São Paulo e Curitiba. O doleiro Alberto Youssef, delator da operação Lava Jato, afirmou que o deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG) participou de um esquema de propinas e indicou a contratação de uma empresa de mineração e construção pesada para as obras da refinaria Premium I, no Maranhão. Em delação premiada na Lava Jato, Youssef declarou que, ao cobrar comissão da Fidens Engenharia, soube que a empresa havia sido contratada por “uma ingerência pessoal” do parlamentar.

Luiz Fernando é um dos políticos apontados pelo doleiro em sua delação perante a força tarefa da Lava Jato, investigação que desmantelou esquema de corrupção que funcionou na estatal petrolífera entre 2003 e 2014. O deputado mineiro nega categoricamente ter indicado empresa para a refinaria Premium I ou recebido valores ilícitos.

A Premium I, orçada em R$ 20 bilhões e situada em Bacabeira, a 60 quilômetros da capital São Luís, foi projetada para operar como a maior refinaria da Petrobrás – capacidade para processar 600 mil barris por dia de petróleo. Mas o empreendimento emperrou há três anos, ainda na gestão Roseana Sarney (PMDB).

Em um de seus inúmeros relatos aos procuradores que investigam empreiteiras que se uniram em cartel para conquistar contratos bilionários da Petrobras, Youssef citou a Premium I e o deputado mineiro Luiz Fernando, do PP. Esse depoimento foi realizado no dia 12 de novembro na sede da Polícia Federal em Curitiba.

O doleiro afirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ganhou propina de 30% sobre o montante desviado de um dos itens das obras, relativo à terraplenagem da refinaria. A Fidens, fundada em 1968, fica em Minas.

Segundo Youssef, a licitação da terraplenagem ocorreu entre 2010 e 2011 “sendo acertado que as vencedoras seriam a Galvão Engenharia, Serveng e Fidens”. Ele afirmou que “ficava sabendo antecipadamente” o nome das empresas que ganhariam as licitações no âmbito da Premium I. O doleiro contou que “foram feitas reuniões” em seu escritório em São Paulo.

Propina sobre o contrato era de 1% e com notas fiscais frias São Paulo. Segundo o doleiro Alberto Youssef, ficou acertado o pagamento de comissão de 1% sobre o valor do contrato da obra da refinaria Premium I. Os repasses teriam sido iniciados seis meses depois do início da obra. Ele falou sobre uma reunião com a Galvão Engenharia. Nesse encontro, disse Youssef, “ficou acertado” que a comissão seria liberada mediante a emissão de notas das empresas MO e Rigidez – companhias de fachada controladas pelo doleiro para fluir o trânsito de propinas. Ao procurar a Fidens para realizar a cobrança, Youssef soube que essa empresa ingressou no certame e foi contratada “devido a uma ingerência pessoal do deputado Luiz Fernando junto a Paulo Roberto Costa”.

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