'Morte arbitrária' de checheno leva entidade a processar FBI

Todashev, de 27 anos, era amigo de Tamerlan Tsarnaev, um dos dois irmãos também de origen chechena acusados de cometerem o atentado em Boston

iG Minas Gerais | AFP |

Um grupo muçulmano que atua na defesa de liberdades civis nos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira, a abertura de processo contra o FBI (polícia federal dos EUA) pela morte do parente de um dos suspeitos de atentado em Boston, em 2013.

O Conselho da Flórida para as Relações Islamismo-EUA (CAIR-Flórida, em inglês) informou em comunicado que foi enviada uma nota oficial ao FBI, primeiro passo para apresentar uma ação judicial, devido à "morte arbitrária" de Ibragim Todashev durante as investigações sobre o atentado na maratona de Boston (Massachusetts). Ibragim morreu em meio a uma sessão de interrogatório dentro de sua casa, na cidade de Orlando (Flórida), em maio de 2013. Segundo o FBI, o homem teria atacado e ferido o agente Aaron McFarlane, que se defendeu e atirou contra o acusado.

"Estamos em busca de respostas e justiça para alguém que foi alvejado sete vezes por um agente do FBI, dentro de sua própria casa, após passar por horas de interrogatório", pontuou Thania Diaz Clevenger, diretora na área de direitos civis. Ela disse que deu início ao processo em nome da família de Todashev, de origem chechena.

Todashev, de 27 anos, era amigo de Tamerlan Tsarnaev, um dos dois irmãos também de origen chechena acusados de cometerem o atentado, que deixou três mortos e centenas de feridos em abril de 2013.

"Todashev estava totalmente desarmado, sem uma faca ou explosivo. Ele não era uma ameaça para (o agente Aaron) McFarlane nem para qualquer outra pessoa. Não foi dada uma explicação razoável sobre os disparos mortais feitos por McFarlane contra Todashev", disse a CAIR-Florida, através da nota.

A organização colocou em dúvida o critério utilizado pelo FBI para contratar o agente McFarlane. Contra ele, existem acusações de que estaria ligado a casos de abuso de autoridade em operações passadas, assim como "o negligente processo interno" da polícia federal ao absolvê-lo da morte de Todashev.

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