Relação com o PT fica sob risco

Decisão do PMDB de conquistar prefeitura de BH pode abalar relação na esfera federal e estadual

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Troca. 
Titular da pasta de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz diz que agora é a vez de o PT ser o vice
Sarah Torres
Troca. Titular da pasta de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz diz que agora é a vez de o PT ser o vice

Conquistar a Prefeitura de Belo Horizonte está na rota do ambicioso projeto de ampliação do PMDB de Minas para a eleição de 2016. Os peemedebistas não querem, pela terceira vez consecutiva, ocupar o lugar de vice em uma chapa petista. As pretensões têm todos os ingredientes para um futuro desgaste com o principal aliado, o PT.  

“Já somos vice na Presidência (da República), no Estado, e seremos também na prefeitura? Não tem razão. É importante para o partido disputar a capital. O PT pode retribuir e indicar um nome para vice”, diz o deputado estadual Ivair Nogueira, com um sorriso de quem sabe que os aliados já têm as mesmas intenções.

A posição sobre a candidatura própria em Belo Horizonte é, praticamente, um consenso na bancada estadual. Os peemedebistas, no entanto, garantem que o voo solo não causará danos à relação com os petistas, mesmo que os parceiros também decidam lançar um nome próprio.

Outro deputado estadual, Iran Barbosa, acredita, inclusive, que as duas chapas podem fortalecer uma a outra e enfraquecer a candidatura do PSDB – que também quer ter um postulante – e do concorrente apoiado pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB), seja ele um tucano ou não.

“Se PMDB e PT tiverem um nome, força um segundo turno e melhora a disputa. Além disso, eles podem se unir em um possível segundo turno”, diz Barbosa.

Nomes. O atual secretário de Estado de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz, já se coloca como pré-candidato do PMDB. “Eles (PT) podem dar o vice. É legítimo que o PMDB tenha um candidato”, diz o parlamentar licenciado da Assembleia.

Souza Cruz estaria insatisfeito no Executivo, principalmente com problemas de estrutura na pasta que acabou de assumir, e não descarta retornar ao Legislativo, onde teria mais visibilidade.

Segundo os parlamentares, outros nomes ainda serão testados e, quem tiver “maior musculatura”, e se sair melhor nas pesquisas será o escolhido.

Antes de avançar na discussão, a legenda precisa concluir o processo de reformulação pelo qual passa o diretório municipal. A estrutura foi desanotada neste ano. Uma comissão provisória está sendo montada para formar uma nova direção.

A gestão do então presidente deputado federal Leonardo Quintão foi considerada infiel, e, por isso, o diretório passa por intervenção. No entanto, Quintão, que tem votação expressiva na cidade, deve integrar a comissão. Procurado pela reportagem, ele não retornou as ligações.

Jejum

Derrota. A última eleição em que o PMDB teve candidato próprio na capital foi em 2008, com o deputado federal Leonardo Quintão. Ele perdeu, no segundo turno, para Marcio Lacerda (PSB).

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