Luiz Braga no Foto em Pauta

Renomado fotógrafo paraense apresenta seu primeiro livro durante bate-papo no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

iG Minas Gerais | LUCAS BUZATTI |

Beleza amazônica. 
Trabalho de Luiz Braga ficou conhecido por retratar, em cores, a cultura popular e as belezas naturais do Pará
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Beleza amazônica. Trabalho de Luiz Braga ficou conhecido por retratar, em cores, a cultura popular e as belezas naturais do Pará

O projeto Foto em Pauta recebe, nesta terça, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, o renomado fotógrafo paraense Luiz Braga. Um dos nomes mais importantes da fotografia brasileira nas últimas quatro décadas, ele acaba de lançar o livro “Luiz Braga”, pela editora Cobogó.

Com 232 páginas, o livro foca os vários tons da beleza amazônica, retratados pelas lentes de Braga. Em cores, as imagens perpassam a cultura popular e as belezas naturais do Pará, captando procissões, festas populares e cenas típicas do cotidiano ribeirinho. Em edição bilíngue, o livro traz 80 imagens, advindas de 40 anos de pesquisas e cliques.

“Esse livro, na verdade, surpreendentemente demorou muito para sair. Muita gente já me cobrava isso. Eu mesmo me cobrei muito, sofri muito com isso uma época. Depois, percebi que o momento viria, e ele não podia ter sido melhor”, garante o fotógrafo. “Pelo livro ter demorado tanto a sair, ele foi bem amadurecido, bem maturado. Me deu tempo para avaliar bem as imagens, para escolher as fotos”, explica.

Braga lembra, também, a dificuldade de se lançar livros de fotografia no Brasil. “A política cultural no Brasil é complicada, e o livro de fotografia também não é barato. Além do mais, eu não queria fazer um livro qualquer. O livro celebra minha carreira, ou boa parte dela, e o resultado me deu uma grande satisfação”, afirma o fotógrafo, escolhido para representar o Brasil na Bienal de Viena, em 2009. No currículo, Braga carrega ainda louros como a premiação no Leopold Godowsky Color Photography Awards, em 1991, pela Boston University. Em 2003, ele foi o artista homenageado no XXI Salão Arte Pará e recebeu o Prêmio Porto Seguro Brasil.

As imagens clicadas por Braga, que começou a fotografar aos 11 anos, chamam atenção para a busca pela luz natural perfeita. “Meu trabalho não precisa de artimanhas visuais, tem uma postura clássica. Por isso, o design do livro e o tratamento e escolha das fotos também foram muito felizes, por não representarem grandes interferências. Não queria que fosse um livro de exibicionismo de direção de arte”.

Braga explica que a escolha pelas fotos em cores aconteceu naturalmente, uma vez que foi o tipo de fotografia que marcou seu nome no cenário mundial. “É uma reunião do que eu tenho de melhor em fotos em cores, que foram as que me deram notoriedade. Eu diria que esse livro é como uma quintessência da minha obra”, define.

Determinação. Aos 58 anos, Luiz Braga afirma que o sucesso de sua trajetória se deu por conta de muita vontade, determinação e paixão pelo que faz. “Sou filho de médico e escolher ser fotógrafo, naquela época, era uma coisa complicada. Viviam me perguntando: Quando você vai largar esse hobby e começar a trabalhar?”, conta. “Outra dificuldade é construir uma carreira fora do eixo. Numa época em que tudo estava focado no Rio e em São Paulo, tive o privilégio de estar cercado por pessoas que me incentivaram a seguir meu caminho em Belém. Quando você não está nos grandes centros e não tem ninguém para te orientar, acaba ficando louco. Nessa época não tinha internet, ninguém ‘dava Google’, tinha que correr atrás. Então, tive muita garra para perseguir minha carreira, apesar de todos esses pressupostos”, orgulha-se o fotógrafo, que até hoje reside em Belém.

Braga conta que percebeu o preconceito com os profissionais “fora do eixo” quando foi convidado para a Bienal de Viena. “Lembro que um repórter de um jornal de São Paulo me perguntou: ‘O quê você fez para ir à Bienal?’. Respondi que realmente não tinha feito nada pontual; que fiz e continuo fazendo há 40 anos. Acredito que a palavra carreira não exprime uma coisa pontual, mas uma trajetória”, conta. “Hoje, as pessoas querem ser célebres do dia para a noite. Não querem suar, não querem se frustrar, têm medo de errar. É um fenômeno contemporâneo que eu me recuso a compactuar. Não fiz fotografia para ser rico nem para ser famoso. Fiz por que amo fotografar”, conclui.

Agenda

O QUÊ. Foto em Pauta com Luiz Braga

QUANDO. Nesta terça, às 19h30

ONDE. Teatro Oi Futuro Kaluss Vianna (avenida Afonso Pena, 4.001)

QUANTO. Entrada franca

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