Milhares de pessoas marcham em Moscou em memória do opositor Nemtsov

Os organizadores da marcha estimaram o número de participantes em mais de 70.000, enquanto a polícia informou sobre 16.000 manifestantes

iG Minas Gerais | AFP |

Milhares de pessoas participavam neste domingo no centro de Moscou de uma manifestação em homenagem ao líder opositor russo Boris Nemtsov, assassinado na sexta-feira na capital, segundo jornalistas da AFP no local.

Os organizadores da marcha estimaram o número de participantes em mais de 70.000, enquanto a polícia informou sobre 16.000 manifestantes reunidos para esta marcha, permitida pelas autoridades.

"Morreu pelo futuro da Rússia" ou "Lutou por uma Rússia livre" eram algumas das frases escritas nos cartazes dos manifestantes.

As entradas do metrô perto do ponto de saída da marcha estavam praticamente inacessíveis devido à multidão, constatou a AFP.

Outras 6.000 pessoas, algumas envolvidas em bandeiras ucraniana, se reuniram em São Petersburgo, a segunda cidade do país, para protestar contra o assassinato deste político muito crítico a Vladimir Putin.

"Carrego uma bandeira ucraniana porque ele lutou pelo fim da guerra na Ucrânia e foi assassinado por isso", afirmou Vsevolod Nelayev.

Nemtsov, morto a tiros na noite de sexta-feira em uma ponte próxima ao Kremlin, deveria liderar neste domingo uma manifestação contra a "agressão de Vladimir Putin" à Ucrânia e em favor do fim do conflito no país.

Crime político

A manifestação de Nemtsov foi substituída por uma marcha em sua memória, aprovada pelas autoridades para o comparecimento de até 50.000 pessoas. Seus simpatizantes passarão pela Grande Ponte de Pedra, agora repleta de flores, onde foi assassinado este ex-vice-primeiro-ministro de Boris Yeltsin entre 1997 e 1998, encarregado do setor energético.

No sábado, a oposição russa denunciou um crime político. As potências ocidentais exigiram uma investigação profunda, e o presidente Putin prometeu "que será feito todo o possível para que os responsáveis por planejar e executar este crime atroz recebam a punição que merecem".

O Comitê de Investigação afirmou que o assassinato de Nemtsov pode estar ligado "à situação dentro da Ucrânia", ou também ao massacre no semanário satírico francês Charlie Hebdo, já que o político havia recebido ameaças depois de condenar o ocorrido.

Para Putin, o objetivo do crime é desacreditar as autoridades russas. Segundo ele, "leva as marcas de um assassinato por encomenda, e tem todos os sinais de uma provocação".

Nemtsov temia por sua vida

Segundo os investigadores, o assassinato foi meticulosamente planejado. No momento do crime, Nemtsov cruzava a Grande Ponte de Pedra com uma jovem identificada pela imprensa russa como a modelo ucraniana Anna Duritskaya, de 23 anos e que saiu ilesa do ataque.

"A responsabilidade política deste assassinato é das autoridades e, pessoalmente, do presidente Putin, ou seja, daqueles que iniciaram e estão realizando uma guerra e uma campanha de ódio em seu apoio", escreveu em sua página do Facebook o ex-líder do partido liberal Yabloko Grigori Yavlisnki.

No sábado foi divulgada a informação de que nas últimas semanas Nemtsov temia por sua vida devido a sua oposição a Putin.

Os líderes ocidentais, entre eles o presidente americano, Barack Obama, condenaram no sábado este assassinato brutal, e pediram uma investigação rápida e eficaz.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou o assassinato, e segundo seu porta-voz "espera que os autores sejam levados em breve à justiça".

Nemtsov, bom orador, participou de diversas manifestações contra o retorno de Putin à presidência russa em 2012, e desde então não parou de criticar a corrupção no país e, nos últimos meses, a política russa no conflito ucraniano.

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