'Jihadista John' pensou em se suicidar em 2010

Identificado pela imprensa como o homem que aparece em vários vídeos de decapitação de reféns, Mohamed Emwazi escreveu em 2010 que se sentia como "um morto-vivo"

iG Minas Gerais | AFP |

MUNDO - ESTADO ISLAMICO
Estado Islâmico divulga vídeo com desfile de reféns curdos
Combatentes das forças pershmerga presos em jaulas são exibidos em carreata no Nordeste do Iraque

FOTO: Reproducao / Youtube
Reprodução / YouTube
MUNDO - ESTADO ISLAMICO Estado Islâmico divulga vídeo com desfile de reféns curdos Combatentes das forças pershmerga presos em jaulas são exibidos em carreata no Nordeste do Iraque FOTO: Reproducao / Youtube

Mohammed Emwazi, o londrino que seria o "Jihadista John", o misterioso carrasco com o rosto coberto do grupo Estado Islâmico (EI), declarou em 2010 a um jornalista que pensava em suicídio devido à perseguição dos serviços secretos britânicos, segundo o Mail on Sunday.

Identificado pela imprensa e pelos especialistas como o homem que aparece em vários vídeos de decapitação de reféns ocidentais divulgados pelo EI, Mohamed Emwazi escreveu em 2010, em um e-mail enviado a um jornalista do Mail on Sunday, publicado no sábado pelo jornal, que se sentia como "um morto-vivo" devido a esta pressão.

A Cage, uma organização de defesa dos direitos dos muçulmanos com sede em Londres, afirma que os serviços secretos britânicos vigiaram Emwazi ao menos a partir de 2009 e que esta pressão contribuiu para sua radicalização. Segundo a Cage, o MI6, o serviço secreto exterior, tentou recrutá-lo sem sucesso.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e um ex-chefe do serviço de inteligência exterior MI6 rejeitaram categoricamente esta tese e o prefeito de Londres, Boris Johnson, acusou a Cage de apologia ao terrorismo.

Em seu e-mail ao jornalista Robert Verkaik, com data de 14 de dezembro de 2010, Mohammed Emwazi contava que havia vendido seu computador portátil pela internet a alguém que, segundo ele, era dos serviços de segurança britânicos.

"Às vezes me sinto como um morto-vivo. Não tenho medo que me matem. O que me dá medo é que um dia tome um monte de comprimidos para poder dormir finalmente para sempre. Só quero que me deixem em paz!", escreveu o jovem londrino, segundo o Mail on Sunday.

Mohammed Emwazi nasceu no Kuwait em 1988. Seus pais, Jasem e Ghaneya, instalaram-se na capital britânica em 1993, após a primeira Guerra do Golfo, quando ele tinha seis anos.

Em Londres, a família Emwazi, "pacífica e apreciada", segundo um ex-vizinho, seguia uma vida tranquila no oeste da cidade. Seu pai dirigia uma empresa de táxi, enquanto sua mãe era dona de casa.

Emwazi estudou na capital britânica e obteve um diploma de informática na Westminster University. Em 2012 ou 2013 viajou à Síria.

De fato, segundo informações da imprensa, Mohammed Emwazi tinha contatos com os responsáveis pelos atentados frustrados lançados em 2005 nos transportes públicos londrinos, duas semanas após os atentados suicidas que deixaram 52 mortos na capital.

Estas revelações aumentam a pressão sobre os serviços de segurança britânicos, que agora são convocados a explicar por que não adotaram medidas contra Emwazi antes que ele viajasse à Síria.

Cameron defendeu na sexta-feira a atuação destes serviços. Precisam tomar "decisões incrivelmente difíceis e acredito que essencialmente tomam decisões muito boas", disse.  

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