Proposta de conferência é criar parques para preservar os rios

A reportagem visitou o parque Primeiro de Maio, com 48 hectares, no bairro Minaslândia, na região Norte, que existe desde 2008

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Casal frequenta parque em busca de sombra
JOAO GODINHO / O TEMPO
Casal frequenta parque em busca de sombra

A preservação dos córregos urbanos que ainda correm em leito natural em Belo Horizonte, além de promessa do Drenurbs, é agora uma proposta aprovada na Conferência Municipal de Políticas Urbanas, no ano passado – a ser votada na Câmara Municipal, em breve.  

Hoje, a capital tem três parques lineares construídos a partir do Drenurbs: o do córrego Nossa Senhora da Piedade; do córrego Primeiro de Maio; e do córrego Baleares. São locais em que se conciliam os aspectos urbanos e ambientais com áreas de uso social e aumento de área permeável. “Ao renaturalizar os cursos d’água, implantando espaços de lazer, quando vem a cheia, a água é acomodada pela área permeável e vazia ao lado”, explicou o urbanista Rogério Palhares.

A reportagem visitou o parque Primeiro de Maio, com 48 hectares, no bairro Minaslândia, na região Norte, que existe desde 2008. O parque é limpo, bonito, com espécies diferentes de plantas e nove nascentes preservadas. A dona de casa Rosana Ribeiro dos Santos, 25, e o encarregado de obras Wagner Celio Ramos, 33, aproveitam as sombras para namorar.

O casal se conheceu quando Ramos trabalhava na construção de um muro de gavião no córrego – para recuperar o leito –, há cerca de dois anos, e Rosana era vizinha do parque. “Os rios deveriam sempre ser tratados assim. Um lugar desse é raro, a cidade só tem asfalto e concreto, resta essa sombra para nós”, disse o encarregado.

Além de ter um lugar pra descansar à sombra, o parque é em si uma aula de educação ambiental, fazendo com que as pessoas retomem o contato e o respeito com a natureza. Aos 4 anos, Francielly Maria Domingos Felipe já sabe o que é uma nascente e como é importante mantê-la. “Esse parque foi a melhor coisa que fizeram aqui para a gente”, contou o pai, o eletricista Marcos Felipe, 47.

“O rio faz parte da paisagem urbana, a cidade fica feia sem ele”, destacou o ambientalista Apolo Heringer.

Segundo o coordenador do programa Drenurbs, Ricardo Aroeira, a intenção é, sempre que possível, implantar parques ou áreas de convívio social junto aos córregos que estão em leito aberto. A criação de parque lineares também consegue impedir que haja ocupações irregulares na beira do córrego, uma prática muito comum.

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