O mercado erótico agradece

Fabricantes criaram embalagens e produtos na onda fetichista do filme mais falado do mês

iG Minas Gerais | Rachel Abrams |

Algemas e chicotes. 
A loja Babeland, em Nova York, vive “o melhor momento da história do setor”, segundo sua presidente
DEVIN YALKIN
Algemas e chicotes. A loja Babeland, em Nova York, vive “o melhor momento da história do setor”, segundo sua presidente

Nova York, EUA. Quando fazem brinquedos para um filme, geralmente o público-alvo são as crianças. Porém, com a estreia de “Cinquenta Tons de Cinza”, a maioria dos acessórios usados no longa é somente para adultos. O setor de brinquedos eróticos aposta que o filme da Universal Pictures vá aquecer as vendas da mesma forma que o livro transformou em clientes milhares de leitoras que se encantaram com o best-seller.  

Antecipando o interesse do público, as grandes lojas garantiram os estoques de vendas, chicotes, algemas e máscaras. Os fabricantes criaram novas embalagens e produtos na onda fetichista do filme, baseado na história de E.L. James sobre a introdução de uma jovem ingênua aos jogos sexuais de submissão.

Até a Target, uma das maiores lojas de departamentos dos Estados Unidos, já começou a vender o “anel vibrador do amor” oficial – item que deve ser usado pelos homens, mas não no dedo. “É o maior momento da história do nosso setor”, comemora Claire Cavanah, uma das fundadoras da Babeland, loja de novidades para adultos.

A trilogia da autora se tornou um fenômeno cultural e fez de E.L. James um verdadeiro ícone. Ela vendeu os direitos de publicação à Vintage Books, divisão da Random House, e conseguiu atingir um público que normalmente não lê ficção erótica. A escritora, uma britânica de meia-idade e ex-produtora de TV, é considerada responsável pela introdução do conceito de BDSM (abreviação de bondage/disciplina, dominação/submissão, sadomasoquismo) no vocabulário popular.

Foi ela também a causadora da guerra de ofertas em Hollywood, com os executivos ansiosos por uma chance de convencer E. L. James e sua agente de que poderiam contar a história de Anastasia Steele, uma estudante inexperiente de 21 anos que se torna a parceira sexual submissa de Christian Grey, um milionário de 27 anos.

A Universal Studios e a Focus Features acabaram levando a melhor. O estúdio queria capitalizar sobre os mesmos leitores que fizeram a venda de acessórios eróticos disparar depois do lançamento do livro.

De uma hora para outra, as lojas não conseguiam manter estoques de produtos totalmente obscuros. O romance acarretou um pulo de 7,5% nas vendas de produtos sexuais, incluindo brinquedos, vídeos e livros em 2013, segundo relatório da IBISWorld. “Nós meio que fomos pegos de surpresa quando o livro saiu, mas estamos muito mais bem preparados para o filme”, avisa Claire.

Que, por sinal, não é explícito como o livro. Neal Slateford, um dos fundadores da Lovehoney – única empresa que tem os direitos de fabricar os produtos oficiais de “Cinquenta Tons” – não espera ver replicados no longa os acessórios que aparecem nas cenas mais picantes da história. “Acho que o filme vai estimular as vendas do livro e aí, sim, nossas vendas vão disparar”, comemora.

Bolinhas campeãs. Especialistas nos apetrechos dizem ser difícil fornecer uma estimativa precisa de vendas de itens específicos inspirados no livro, mas fazem observações. O romance inclui uma cena mais explícita com as bolas ben wa, também conhecidas como bolinhas tailandesas, item que há anos é promovido como essencial para a saúde feminina, principalmente depois de dar à luz. Imediatamente as vendas dispararam. A Exotic Novelties, grande fabricante da Califórnia, que vendia de 80 mil a 90 mil unidades/ano, vendeu 1 milhão nos seis meses após o lançamento do livro, segundo sua presidente, Susan Colvin.

Há preocupações culturais também: o livro pode ter exposto a prática de um nicho erótico, mas alguns críticos não veem a pressão do protagonista sobre a parceira para a prática BDSM com bons olhos, pois deveria estimular o jogo consensual.

Esses conceitos errôneos, alguns dizem, podem se estender aos brinquedos eróticos – e os fabricantes temem que o cliente crie expectativas pouco realistas e se decepcione com os produtos.

Vai bombar, mas moda passa logo Nova York.Da mesma forma que os fabricantes de brinquedos eróticos querem faturar, não têm a intenção de superestimar a demanda. A Babeland ainda tem alguns itens que sobraram do aumento de estoque feito em 2012, por causa do sucesso dos livros da trilogia “Cinquenta Tons de Cinza”. Dessa vez a empresa está mais comedida e diz que os produtos ligados ao filme representam apenas 5% de todas as novidades. “Na minha opinião, vai haver um aumento drástico, mas a coisa vai cair rapidinho”, sugere Nick Orlandino, CEO da Pipedream Products.

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