Novo exame de DNA promete impulsionar a perda de peso

Teste genético dá o relatório de intolerâncias, sensibilidades e pontos fortes do organismo

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Satisfeito. O advogado Alexandre não eliminou nada totalmente de sua dieta e alcançou sua meta
FERNANDA CARVALHO
Satisfeito. O advogado Alexandre não eliminou nada totalmente de sua dieta e alcançou sua meta

Todo mundo conhece alguém que vive de dieta, mas não consegue emagrecer, ou que emagrece e logo recupera os quilos. A dieta do DNA, nova no Brasil, promete resolver esses problemas aumentando a adesão ao tratamento. Com um exame feito a partir da retirada de mucosa da boca, o médico consegue coletar informações que serão importantes para a elaboração de uma dieta. O preço do teste é R$ 2.000.

“O exame vai dizer o que devemos ou não comer. A proposta é fazer um estudo personalizado do corpo humano e trazer qualidade de vida customizada”, explica o médico Jorge Menezes, cirurgião plástico especialista na dieta do DNA. O teste está dentro do universo da nutrigenômica, ciência que estuda a interação entre os alimentos e os nossos genes. “A nutrição personalizada é baseada no princípio de que alimentos ou nutrientes podem ser fatores de risco ou de proteção para várias doenças. Esse desempenho depende da predisposição genética do indivíduo, e esses alimentos podem regular a expressão do gene”, afirmam os professores Carla Barbosa Nonino, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), e Alfredo Martínez, da Universidade de Navarra, na Espanha. Eles responderam juntos à entrevista de O TEMPO. Os pacientes que já iniciaram na técnica têm relatos positivos, como o da enfermeira Maria, 46, que preferiu não revelar seu sobrenome. “Eu sempre me alimentei bem, mas sentia a barriga estufada, ficava muito agitada, cansada, tinha coceiras pelo corpo e meu intestino não funcionava bem”, reclama. Ela fez o exame em outubro de 2014 e descobriu intolerâncias a lactose e glúten, além de sensibilidade a cafeína. Desde o fim do ano passado, Maria segue a dieta recomendada para ela. “Estou mais bem disposta, meu intestino melhorou, não sinto mais coceiras e até a barriguinha indesejada que eu tinha sumiu”, conclui. Críticas. A técnica ainda não é consenso entre os especialistas. “Esse tratamento não tem respaldo científico. Ainda não conhecemos todos os genes envolvidos no metabolismo dos alimentos. Os estudos são muito iniciais e não há, no mundo, nenhuma recomendação para o uso da nutrigenômica para a prescrição de dietas. Além disso, há exames laboratoriais para detectar intolerâncias, não preciso fazer um teste genético para isso”, critica a endocrinologista Maria Edna de Melo, membro Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Para que a nutrição personalizada se torne realidade, é necessário que diferentes desafios sejam superados. Por exemplo, elucidar o impacto na saúde de milhões de SNPs (diferenças no DNA responsáveis pelas características entre os seres humanos) distribuídos nos cerca de 25.000 genes do genoma humano”, afirmam os pesquisadores Carla Nonino e Alfredo Martínez. “Tudo tem um começo, e este é o nosso. O método não é o melhor, nem o salvador. Ele vem se somar ao universo de outras técnicas consagradas. O que podemos afirmar é que prejuízos para a saúde do paciente, não há”, finaliza o médico Jorge Menezes.

Sobre o exame Dados. A coleta do material para o exame Genodiet Slim é feita no consultório médico aqui no Brasil. O material, então, é enviado para um laboratório na Itália. O exame custa R$ 2.000 e o resultado leva de 30 a 40 dias para ficar pronto.

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