Editoras apostam em séries

Em uma outra série da editora, traduzida da japonesa Shogakukan, as obras são adaptadas para o formato de mangá

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Com o mercado aquecido e o governo sedento por comprar adaptações para as escolas, as editoras buscam cada vez mais títulos de clássicos universais. A L&PM, por exemplo, tem a coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos, com edições em capa dura que também contextualizam a obra e a importância de cada autor para sua época.  

Para o editor Ivan Pinheiro Machado, porém, nada substitui a leitura do próprio livro. “São experiências diferentes, igualmente válidas. Ler o quadrinho de ‘Guerra e Paz’ (Tolstoi), por exemplo, não é o mesmo que ler suas mais de 700 páginas. Ainda assim, pode ser um caminho para apresentar aquela história para quem ainda não leu”, diz.

Em uma outra série da editora, traduzida da japonesa Shogakukan, as obras são adaptadas para o formato de mangá. O que chama a atenção é que nem sempre as obras originas são romances. O “Manifesto do Partido Comunista”, de Engels e Marx, tem sua versão. Como adaptá-lo? Ivan responde: “Criou-se um roteiro para contar aquilo que é proposto no livro – neste caso, uma história de uma fábrica de trabalhadores explorados”, diz.

A editora Peirópolis já lançou mais de 15 volumes adaptados por cartunistas brasileiros, na série Clássicos em HQ. Para entender o mercado, a diretora Renata Farhat Borges voltou à academia para estudá-lo mais a fundo e se deparou com uma discussão mais profunda do que imaginava. “Cada adaptação é uma ressignificação, uma releitura que passa muito pelo olhar do quadrinista. É preciso estudar muito o livro e seu contexto para que se apresente uma visão coerente dele. Na editora, eu trago especialistas em cada obra para discuti-las com os cartunistas”, diz. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave