Arte e agito de mãos dadas

Com personalidade própria, as várias regiões da cidade esbanjam criatividade nas artes, cafés e butiques

iG Minas Gerais | Mari Campos |

Surry Hills é um dos bairros mais antigos de Sidney, que ganhou uma nova versão comercial
Mari Campos/Agência O Globo
Surry Hills é um dos bairros mais antigos de Sidney, que ganhou uma nova versão comercial

Anexo ao porto, Walsh Bay/The Rocks é um pequeno bairro onde história e arte caminham de mãos dadas. Walsh Bay tem alma de artista, com vida cultural pulsante, e The Rocks  tenta seguir a mesma linha, reunindo pubs históricos, como o Lord Nelson (www.lordnelsonbrewery.com), e disputados mercados de rua nos fins de semana. Passear para ver as lojas e cafés das ruas George e Market e visitar o Museu de Arte Contemporânea (mca.com.au) são programas imperdíveis. O museu foi reaberto em 2012 com nova ala de cinco andares e excelentes exibições temporárias.

A gastronomia mais caprichada de Sidney também fica por ali: o Quay Restaurant (quay.com.au), do chef Peter Gilmore, vale o quanto pesa. Seu menu degustação é impecável. E a vista genial do porto – da ponte e da Opera House –, por meio de suas paredes totalmente envidraçadas, faz a gente esquecer dos US$ 9 (R$ 25,70) gastos em uma garrafa de água.

É dali também que partem diariamente diversos passeios nos clássicos tallships (barcos com grandes mastros) do porto de Sidney para ver o skyline da cidade, desde o mar, ou mesmo chegar à Goat Island, outrora uma ilha para prisioneiros.

Vizinhança

Se os moradores de maneira geral defendem que cada bairro de Sidney é apenas uma pequena fatia da cidade, então não vale a pena deixar as famosas atrações nos arredores do porto consumirem toda a atenção. Bairros cheios de personalidade, com amplos espaços para arte, cafés hipster, butiques alternativas e chefs cada vez mais criativos começam, finalmente, a cativar também a atenção dos visitantes.

Darlinghurst – ou simplesmente Darlo para seus moradores – é o coração da comunidade LGBT da cidade, com entretenimento dia e noite e cafés abertos 24h. Densamente povoado e de aparência mais antiga, com charmosos predinhos art decó nos altos e baixos de seu relevo acidentado, o bairro vê antigas lojas e ateliês de tatuadores se transformarem em espaços jovens (e joviais) de arte e gastronomia, de pequenos bistrôs a hambúrgueres gourmet.

À noite, Darlo se torna ainda mais vibrante, sobretudo na região tomada por bares na Burton Street e arredores – o Red Lily, pequeno cocktail bar de inspiração indochina, já virou um clássico.

Woolloomooloo

Logo ao norte, o bairro funde-se com Potts Point/Woolloomooloo, uma espécie de versão novaiorquina da cidade, com predinhos art déco. E isso em ruas superarborizadas, entre delicatessens italianas, cafés e autênticos bares de saquê japoneses, que reúnem de jovens profissionais a baby boomers.

Espiar a eclética Challis Avenue e tomar um café no Café Boheme são destaques no bairro. Assim como dar uma voltinha pelo cais de Woolloomooloo no fim da tarde – e ainda ficar para jantar no China Doll, de comida asiática fusion e que é a última moda por lá. O restaurante funciona no mesmo prédio do Hotel Blue.

 

Surry Hills

Bairro vira reduto de descolados

Surry Hills é um dos bairros mais antigos de Sidney. O antigo distrito de comércio de tecidos da cidade hoje ganhou nova cara comercial, com lojas de design, ateliês de jovens estilistas e galerias despretensiosas, sobretudo nas ruas Crown e Bourke – vale conferir, por exemplo, a Mushu, de roupas e acessórios de inspiração vintage, e os objetos da Workshopped. Seus mercados orgânicos e cafés também atraem verdadeira legião de hipsters e intelectuais, como no SoHo novaiorquino de antigamente.

O bairro de Paddington é outra grande pedida para uma tarde de caminhadas: as ruas arborizadas são tomadas por casinhas com terraços vitorianos (como ao longo da Queen Street) onde se instalaram boutiques, charmosos cafés e chocolaterias, assim como galerias e antiquários.

Os vestidos de Leona Edmiston, os cardigãs de Sonya Hopkins e as peças meio french de Thomas Hulston, entre tantos outros, já fazem do bairro o canto mais fashionista da cidade. O Paddington Market acontece todo sábado com mais de 150 barracas de artistas e designers locais na Oxford Street – com direito a descanso em seus bucólicos jardins.

Herança aborígene e boêmia

Redfern/Waterloo. As heranças das raízes aborígenes e do passado operário estão presentes em Redfern/Waterloo, mas os antigos armazéns e fábricas abandonadas estão sendo transformados aos poucos em galerias, cafés, restaurantes e lojinhas vintage. O ponto mais movimentado é o antigo complexo industrial do século XIX que deu lugar ao hub cultural Carriageworks (carriageworks.com.au), com múltiplos espaços, de teatro alternativo a grandes exibições de arte. Glebe e Newtown. Apesar de mais afastadas, Glebe e Newtown formam uma vizinhança boêmia, cheia de restaurantes na King Street, pubs e teatros de atmosfera bastante eclética. Nos fins de semana, há os Glebe Markets, com brechós de roupas, móveis e sebo. Darling Harbour. E, já mais próximo ao CDB, Darling Harbour é famoso pelo cassino, shopping centers e chefs celebridade, como David Chang e Luke Nguyen, que instalaram ali novos restaurantes.  

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