Ainda bem

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Por muitos anos eu acreditei que a mulher da minha vida seria aquela que eu poderia falar qualquer coisa, sem precisar olhar para trás, para saber se ela estava por perto ou não. Não entendia que uma dose de segredo, de um universo que fosse só meu e de certo mistério era fundamental. Acreditei que os grandes amigos eram aqueles que estariam ao meu lado em todos os momentos, por toda a vida. Não entendia que não precisamos seguir os caminhos sempre juntos e que, muitas vezes, nenhum deles estaria por perto. Acreditei que persistir indiscriminadamente em uma busca era sinal de batalha. Não entendia que abrir mão de algumas buscas era algo libertador e sinal de autovalorização. Acreditei que falar “não” era indelicadeza minha. Não entendia que eu tinha o direito de falar “não”, mesmo para alguém importante para mim. Acreditei que eu precisava suportar pessoas insuportáveis, que não estavam ligadas a mim, mas a pessoas com que eu tinha alguma ligação. Não entendia que eu tinha liberdade de escolha quanto a quem eu queria perto de mim ou não. Acreditei que fazer absolutamente tudo por alguém que eu amava era a melhor forma de manifestar o meu amor. Não entendia que fazer tudo por alguém nem sempre é benéfico. Acreditei que o meu jeito de fazer as coisas era o melhor jeito de se fazer as coisas. Não entendia que algumas pessoas são mais eficientes que eu em determinadas questões. Acreditei que pessoas que estavam sempre sorrindo não tinham problemas. Não entendia que os sorrisos, muitas vezes, escondem as maiores dores. Acreditei que as minhas relações longas não sofreriam o que todas as relações longas sofrem. Não entendia que não há como fugir de alguns impactos que o tempo traz. Acreditei que rotina era algo necessariamente ruim. Não entendia que algumas coisas só acontecem em nossas vidas se instituirmos disciplina. Acreditei que as outras pessoas importavam-se tanto quanto eu com a qualidade da relação que existia entre nós. Não entendia que algumas pessoas simplesmente não se importam. Ainda bem que a gente cresce. Jack Bianchi é fundador da Humana.Mente (facebook.com/HumanaMente.Brasil), produtora especializada em conteúdo sobre comportamento

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