Trilha fecunda na televisão

Oriundo do teatro, ator já conquistou uma carreira sólida na TV, apesar da entrada tardia e de poucos trabalhos

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Empenho. Domingos Montagner destaca que, além da sorte de ter bons personagens, também lutou muito por seu espaço
Empenho. Domingos Montagner destaca que, além da sorte de ter bons personagens, também lutou muito por seu espaço

O jeito sereno e quase tímido de Domingos Montagner logo fica para trás quando o ator começa a falar sobre seu novo personagem. Às vésperas de protagonizar seu primeiro folhetim ao dar vida a Miguel, em “Sete Vidas”, ele se mostra bastante empolgado. O posto de protagonista, no entanto, não é o principal motivo. “Gosto de trabalhar. E me chamou muito atenção a transformação emocional que o personagem vai ter”, antecipa. Na novela de Lícia Manzo, Miguel é um sujeito solitário e aventureiro, com grandes e profundos dramas familiares, que vê sua vida mudar quando descobre ter gerado seis filhos através de uma doação de esperma. O sétimo filho vem por conta de uma relação com Lígia, interpretada por Débora Bloch. “As experiências humanas definem o estilo de vida da pessoa. É muito importante mostrar isso também na dramaturgia”, defende. Natural de São Paulo, Domingos começou a carreira no teatro, mas fez muitas participações na TV. No entanto, seu primeiro papel fixo foi na série “Divã”, exibida em 2011 e protagonizada por Lília Cabral. De lá para cá, o ator conseguiu recuperar o tempo perdido e trilhou uma carreira que, apesar de rápida, é bastante sólida, em novelas como “Cordel Encantado”, “Salve Jorge” e “Joia Rara”. Por isso, é natural que tenha alcançado o status de galã maduro. “Tive a sorte de esbarrar sempre em bons personagens. Mas também me empenhei bastante”, afirma. Sua primeira novela foi “Cordel Encantado”, exibida pela Globo em 2011. Você esperava ser alçado ao posto de protagonista tão rápido? Não entrei na TV pensando que ia ser protagonista em tanto tempo ou traçando metas ou objetivos. Achei ótimo ter acontecido. Mas não tenho parâmetros para dizer se foi rápido ou demorado. O que posso dizer é que vejo meu trabalho ser reconhecido. E me sinto muito grato porque me empenhei bastante para isso. Gosto de trabalhar e esse retorno é o grande motivador, independentemente do personagem ser principal ou não. E como veio o convite para interpretar o Miguel, de “Sete Vidas”? Ainda estava gravando “Joia Rara” quando o (diretor) Jayme Monjardin me fez o convite. A princípio, seria uma novela das 23h. Fiquei sabendo mais ou menos da história e logo topei fazer. Depois, tiveram algumas mudanças, o horário mudou. Mas já estava tão interessado, tão inteirado sobre o tema que o personagem já era meu. Como você se preparou para o papel? Parto do princípio que temos todos os personagens dentro da gente. E acho que desenvolvemos características diferenciadas de acordo com o amadurecimento afetivo, as relações humanas que temos e um monte de outros fatores. Mas as características estão lá. Mais profundas ou mais rasas. E procuro dar mais cor e forma a esses sentimentos de acordo com o que o texto conta do personagem. O Miguel tem como característica principal a solidão. Como foi lidar com isso? Acho que a solitude é amedrontadora. Mas muito positiva porque traz reflexão, introspecção. Sozinho, comecei a perceber que refletia mais sobre o mundo, sobre a sociedade. Passei a dar voz ao que eu pensava de forma mais fácil depois que experimentei essa necessidade do meu personagem. E, obviamente, passei a entender mais os motivos de todo o afastamento emocional que ele vive. E eu tenho identificação com essa introspecção, tenho certo prazer em curtir uma solidão. O mais difícil ainda vem por aí, que é a grande virada emocional do personagem. Como assim? Ele vai se transformando emocionalmente, adquirindo uma maturidade emocional muito grande. O surgimento dos filhos desperta a possibilidade do que significa ter uma família. Uma coisa que ele nunca imaginou por ter tido grandes problemas com a própria família. Esse comportamento dele é oriundo de um trauma. Então, ele começa de uma forma e vai mudando ao longo da novela. E imagino que, quando chegar a hora de mudar o tom, vai ser um grande desafio como ator.

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