Domingo da depressão

Na busca por novidades, “Domingão do Faustão” esbarra em tom enfadonho e falta de bom senso

iG Minas Gerais | geraldo bessa tv press |

Repetitivo. Fausto Silva vive em zona de conforto aos domingos, mas não apresenta novidades
Globo/Zé Paulo Cardeal
Repetitivo. Fausto Silva vive em zona de conforto aos domingos, mas não apresenta novidades

Por antecipar a temida segunda-feira, a tarde de domingo por si só já carrega um ar depressivo. E a programação das emissoras abertas, recheada de programas de auditório, parece sempre se esforçar para tornar o dia ainda pior. Entre quadros assistencialistas e apresentações musicais toscas, se existe uma produção que há muitos anos evidencia essa crise dominical é o “Domingão do Faustão”. Na grade da Globo há 26 anos, o programa apresentado por Fausto Silva é quase uma instituição. Mesmo que muita gente ame odiar e torça pelo seu fim, a produção já deixou muitos concorrentes para trás e ainda mantém sua audiência acima dos dois dígitos. Com figurinos controversos, cortando o discurso de seus entrevistados e sempre apelando para máximas como “Quem sabe faz ao vivo!” e “O maior coral do Brasil!”, Fausto é quem ganha com isso. Além de sustentar sua credibilidade publicitária, ele ainda abocanha um dos maiores salários da emissora.

Sem um grande concorrente à altura e deixando a briga pelo segundo lugar no Ibope para “Eliana”, do SBT, e “A Hora do Faro”, da Record, o “Domingão do Faustão” vive há alguns anos em uma zona de conforto. E mesmo assim, não deixa de experimentar. Atualmente, com exceção do clássico “Arquivo Confidencial” e do repetitivo “Vídeo-Cassetadas”, boa parte de suas três horas de duração são tomadas por quadros que fazem sucesso em outras partes do mundo. Sem identidade, o programa apela para competições de animais de estimação, truques mágicos, disputas musicais e muitos formatos de concursos de dança, como o “Dança da Galera” e o “Dança no Gelo”. Dentre esses, o de maior repercussão continua sendo o “Dança dos Famosos”, versão nacional de “Dancing With The Stars”, que ainda faz sucesso na TV norte-americana. A cada temporada, o quadro consegue elevar a audiência do programa em cerca de 4 pontos. Por conta disso, a produção do dominical tenta a todo custo achar outro formato que garanta visibilidade. E a bola da vez é o “Os Iluminados”.

Baseado no sucesso alemão “Keep Your Light Shining”, o quadro tenta reciclar o clichê da disputa musical. Sete participantes precisam interpretar a mesma música, em revezamento, sem a chance de adaptar a canção para seus tons. De cara, o quadro já recai no mesmíssimo erro de qualquer versão nacional de formatos do gênero e apela para gritos e floreios vocais típicos do R&B dos Estados Unidos. A opção por canções do pop internacional ainda apresenta outro problema: o inglês dos participantes. Sem conhecimento e treino com as palavras, o desempenho da grande maioria é vergonhoso, mas nada muito diferente do que acontece em competições como “The Voice Brasil” e “Superstar”. Vitrine popular que ainda se mostra importante, o “Domingão do Faustão” tenta olhar para o futuro, mas não consegue se desvencilhar de seu tom enfadonho e brega de sempre.

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