Aposta na força da imagem

Sem garantia de mais audiência, alteração de apresentadores promete renovação de programas neste 2015

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Afonso Carlos/Czn
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Muito além do formato, cenários ou quadros, grande parte dos programas de televisão depende diretamente da imagem do apresentador. É a partir do apelo popular e do modo que ele tem de se comunicar que o programa consegue ganhar ritmo e repercussão. Sabendo disso, as emissoras pautam as produções a partir das idiossincrasias de quem comanda o circo. Como tudo na TV – e na vida – é transitório, por questões comerciais, contratuais, de renovação ou, simplesmente, pessoais, tudo pode mudar. E aí é hora de questionar a sobrevida das produções sem seu rosto principal. O início de 2015 está propício para essas mudanças. Pouco tempo depois que a Record modificou totalmente o “Hoje em Dia”, a Band apresenta sua renovação para o “CQC”, alterando de forma significativa a equipe do jornalístico e substituindo Marcelo Tas pelo ator Dan Stulbach. “Ajudei na implantação do formato do programa no Brasil e fiquei à frente da bancada por sete anos. É certo que o programa mudará de cara, mas acho que tem tudo para dar certo. Televisão precisa dessas mexidas”, analisa Tas.

Partir para uma linha de produção totalmente diferente é uma forma de evitar grandes comparações. A escolha de Dan, que é apresentador do GNT e já foi substituto do “Encontro com Fátima Bernardes”, reflete o desejo da Band de fugir da linha cerebral e irônica de Tas para tentar um apelo mais popular. “O convite foi muito surpreendente. Estou participando de todo o processo de produção do programa. Vamos respeitar a memória do que já foi feito, mas ousar e mudar”, adianta Dan. Para a próxima temporada, o “CQC” não enfrenta qualquer resistência dos velhos anunciantes do programa. Ao contrário do que acontece na Record com o “Hoje em Dia”.

Na ânsia de melhorar os números de audiência, a Record afastou Celso Zucatelli, Edu Guedes e Chris Flores do programa. Para substituí-los, tirou César Filho do SBT, recolocou Ana Hickmann no programa e lançou a jornalista Renata Alves. “A troca foi provocada pela baixa audiência. Antes de qualquer medida, a emissora fez uma pesquisa de mercado. Alguns anunciantes se foram e outros surgiram. Agora é conquistar cada vez mais o público”, analisa Paulo Franco, diretor artístico da emissora. Aos poucos, se o programa não for cancelado, a tendência é a audiência se estabilizar ou, dependendo da sorte do substituto, aumentar. Ao longo do tempo, algumas alterações obtiveram resultados surpreendentes e formaram novos públicos.

A mesma Record entrou em desespero quando Márcio Garcia resolveu voltar para a Globo e largar o bem-sucedido “O Melhor do Brasil”. De forma ousada, a emissora escalou o inexperiente mas esforçado Rodrigo Faro para a empreitada. Em poucos meses, ele conquistou o segundo lugar no Ibope e se tornou queridinho das agências de publicidade. “Teve gente que duvidou muito dessa aposta. Eu tinha muito receio, mas minha vontade de vencer os pessimistas era maior”, conta o hoje apresentador do dominical “A Hora do Faro”.

Com resultados oscilantes, outras alterações tiveram de ser assimiladas pelo grande público. Ao sair do SBT, em 2009, Gugu foi substituído por Celso Portiolli. E o apresentador até hoje está à frente do “Domingo Legal”. Anna Hickmann não teve a mesma sorte ao assumir o posto de Eliana no dominical “Tudo É Possível” e o programa foi cancelado pouco tempo depois. Na Band, no comando do “Agora É Tarde” desde que Danilo Gentili assinou com o SBT, Rafinha Bastos amargou índices de audiência negativos, mas agora começa a conquistar seu próprio público. “É todo um processo de fazer o melhor que a gente pode, investir em qualidade e ver se a audiência corresponde. Não há certezas”, conta o apresentador.

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