Manifestante morre atropelado por caminhão que furou bloqueio no RS

léber Adriano Machado Ouriques foi atingido por um caminhão que furou o bloqueio que os caminhoneiros na BR-392, em São Sepé, na região de Santa Maria

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

 Um caminhoneiro que tentou parar um veículo na BR-392, em São Sepé, na região de Santa Maria (centro-sul do RS) foi atropelado e morto na manhã deste sábado (28), segundo a Brigada Militar e a Polícia Rodoviária Federal do Estado. De acordo com a Brigada Militar (equivalente a PM no RS), a vítima, Cléber Adriano Machado Ouriques, foi atingida por um caminhão que furou duas vezes o bloqueio que os caminhoneiros faziam a pé e com carros particulares na estrada. Após o atropelamento, o motorista do veículo fugiu do local. Os protestos de caminhoneiros nas estradas continuam neste sábado e seguem concentrados na região Sul do país, apesar da multa imposta pelo governo federal de até R$ 10 mil por hora de paralisação nas rodovias. Para evitar essa multa, há relatos de que os caminhoneiros estão interditando as estradas sem o uso de caminhões em pelo menos duas cidades - a gaúcha São Sepé e Santa Teresinha de Itaipú (PR). Perseguição Em São Sepé, o caminhão que causou o atropelamento estava em alta velocidade e furou o bloqueio duas vezes. Após a primeira, segundo relatos da Brigada Militar, o caminhão foi perseguido por um carro com Ouriques. Cerca de 8 km depois, o veículo da vítima ultrapassou o caminhão, tomou uma distância e o grupo fez nova barreira no meio da pista. Nesse momento, ainda segundo a Brigada, o caminhão furou o bloqueio pela segunda vez e atingiu Ouriques, que foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com a Brigada, os caminhoneiros têm adotado a estratégia de deixar os caminhões em postos de gasolina para evitar a multa imposta pelo governo. Em São Sepé, eles fizeram um acampamento próximo ao local do atropelamento. Ouriques é filho de outro caminhoneiro e os dois são, ainda segundo a PM gaúcha, muito conhecidos na cidade. Reivindicações  Os caminhoneiros iniciaram os protestos nas estradas no último dia 18 e chegaram a realizar bloqueios em 14 Estados. Eles pedem redução no preço do diesel e do pedágio, tabelamento dos fretes e a sanção, por parte da presidente Dilma Rousseff, de mudanças na legislação que flexibilizam a jornada de trabalho. Na última quarta (25), o governo chegou a anunciar um acordo com a categoria, prevendo por exemplo a manutenção do preço do diesel por seis meses. Parte dos motoristas não reconhece o acordo. Principalmente no Sul, o movimento segue forte, mas há líderes da categoria que prevê o afrouxamento nos protestos, como Afrânio Kieling, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logísticas no Rio Grande do Sul. "As empresas não têm mais onde colocar a carga, seus depósitos ficaram lotados. Os caminhoneiros vão trabalhar direto durante o fim de semana para liberar esse fluxo."