MPF vai questionar benefício

Na avaliação do procurador, o uso da cota parlamentar por esposas e maridos de congressistas significa bancar interesses particulares com verbas públicas

iG Minas Gerais |

 O deputado Tiririca (PR-SP) defendeu o benefício, afirmando que não vai ser hipócrita de dizer que não vai usar a verba, já que a medida foi aprovada pela Mesa Diretora.
GUSTAVO
O deputado Tiririca (PR-SP) defendeu o benefício, afirmando que não vai ser hipócrita de dizer que não vai usar a verba, já que a medida foi aprovada pela Mesa Diretora.

Brasília.O Ministério Público Federal (MPF)vai questionar a liberação da cota de passagens aéreas da Câmara para cônjuges de deputados e deputadas. O procurador da República no Distrito Federal, Frederico Paiva, fez uma representação pedindo a abertura de procedimento para investigar se há malversação de dinheiro público na extensão do benefício, restrito a parlamentares e assessores desde 2009, após a “farra das passagens”. A informação é do site Contas Abertas.  

Na avaliação do procurador, o uso da cota parlamentar por esposas e maridos de congressistas significa bancar interesses particulares com verbas públicas.

O pedido deve ser distribuído a um colega do procurador e pode resultar até na abertura de uma ação de improbidade administrativa contra a Mesa Diretora da Câmara, responsável pela aprovação da medida na última quarta-feira. Na mesma reunião, a Mesa aprovou o aumento de outros benefícios para deputados, como a verba de gabinete, o auxílio-moradia e a cota para o exercício da atividade parlamentar, o cotão, da qual fazem parte os créditos para as passagens aéreas. O “pacote de bondades” para os parlamentares deve onerar em cerca de R$ 150 milhões os cofres públicos no próximo ano.

Diante da repercussão negativa e da pressão do Ministério Público, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), admitiu rever a extensão do benefício a esposas e maridos de parlamentares. Mas jogou a responsabilidade para a Mesa Diretora. “Não vejo nada demais (na regalia), mas, se a Mesa Diretora quiser rever, é um direito dela.”

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave