Apoio irrestrito aos protestos

Cúpula do PSDB se reuniu em São Paulo com Fernando Henrique e não poupou críticas ao governo

iG Minas Gerais |

Convocação. Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estaria preocupado com “momento delicado que vive o Brasil”
NILTON FUKUDA/ESTADãoconteúdo - 20.5.2013
Convocação. Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estaria preocupado com “momento delicado que vive o Brasil”

São Paulo. A cúpula nacional do PSDB, convocada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um encontro nesta sexta, em São Paulo, não poupou críticas ao governo federal e defendeu os protestos contra Dilma Rousseff. Presidente nacional da legenda, o senador Aécio Neves (MG) deixou o encontro afirmando que foram convocados por FHC, que estaria preocupado com o “momento delicado que vive o Brasil”, tanto do ponto de vista econômico, como político.

“Nossa intenção é de garantir a solidez das instituições, fazer o embate político dentro do Congresso Nacional, respeitando os limites da democracia. A preocupação crescente é a mesma da sociedade brasileira em relação ao quadro econômico. A cada dia o governo toma novas medidas que podem agravar o quadro recessivo e o quadro inflacionário.”

Aécio defendeu as manifestações contra o governo Dilma Rousseff e criticando as últimas medidas da petista. “Com essas últimas medidas, o governo da presidente Dilma está mudando o slogan que seu marqueteiro criou anos atrás. Acho que o ‘Brasil, um país para todos’ está virando cada vez mais o ‘Brasil, o país da mentira’” disse Aécio.

“A presidente da República, com a Medida Provisória anunciada hoje (nesta sexta), mais uma vez desdiz, contraria tudo aquilo que afirmou durante a campanha eleitoral: que não haveria aumento de impostos e supressão de direitos”, concluiu. O governo editou uma MP que reduz o benefício fiscal sobre a folha de pagamento.

Os tucanos também saíram em defesa de FHC. Na última semana, a presidente disse que, se a corrupção na Petrobras tivesse sido investigada no governo do tucano, o chamado petrolão talvez não existisse. Já nesta semana, o relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), pregou incluir a gestão de Fernando Henrique no escopo da investigação.

“Eu soube agora que vão fazer uma CPI sobre a mudança da capital do Rio para Brasília e que foi o Fernando Henrique o responsável”, ironizou o senador José Serra (PSDB-SP). Os tucanos decidiram embarcar na tática de combater os ataques a FHC com ironia e humor.

O próprio ex-presidente aderiu à onda de memes que tomaram a internet desde a fala de Dilma. Durante o almoço, o senador Cássio Cunha Lima (PB) tirou uma foto de FHC segurando um cartaz com os dizeres “Foi FHC” com uma nota de R$ 2 acima.

ENGODO. Participaram do encontro com FHC, além de Aécio, Serra e Cássio Cunha Lima os senadores Tasso Jereissatti (CE) e Aloysio Nunes (SP).

Ao sair, Aécio disse que as manifestações devem ser vistas como algo natural e atribuiu o descontentamento com o governo Dilma ao que chamou de engodo na campanha eleitoral.

Aécio voltou a criticar o pronunciamento do ex-presidente Lula, esta semana, em ato de defesa da Petrobras no Rio. O mineiro classificou como lamentável o teor das declarações do petista.

Lula disse que Dilma precisa levantar a cabeça e dizer eu ganhei a eleição, além de afirmar os petistas também sabem brigar sobretudo quando o Stédile (João Pedro Stédile, presidente do MST) colocar seu exercito na rua.

Para o tucano, as manifestações de todos os setores da sociedade devem ser vistas como naturais na democracia. Ele disse ainda que os protestos que estão sendo organizados contra o governo são legítimos, mas não partidários. “Temos que ter o cuidado de estabelecer esse limite. As pessoas estão indignadas com a mentira e com a desordem que tomou conta do governo federal”, afirmou.

Direito

Democracia. O senador Aécio Neves ao criticar o governo disse que “nós vivemos numa democracia. E, numa democracia, todos os setores da sociedade têm o direito de se manifestar”,

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